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Havan 40 anos: como a rede de Luciano Hang virou fenômeno do varejo brasileiro

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A Havan 40 anos chega perto de completar quatro décadas como um dos casos mais chamativos do varejo brasileiro. A empresa começou em 1986, em Brusque, no Vale do Itajaí, com apenas 45 metros quadrados, um balcão, prateleiras de tecido, um funcionário e uma aposta ousada.

Hoje, a rede soma mais de 190 megalojas, presença nacional, e-commerce, cartão próprio e um portfólio que vai de itens para casa a eletroeletrônicos, moda, brinquedos e decoração. Além disso, a marca virou conhecida por suas fachadas inspiradas na Casa Branca e pelas réplicas da Estátua da Liberdade.

Havan 40 anos mostra a força do empreendedorismo no varejo brasileiro

A história da Havan começou longe dos discursos bonitos de gabinete. Ela nasceu do trabalho, da venda direta e do velho balcão.

Luciano Hang conheceu o setor têxtil por dentro. Filho de operários da tradicional Fábrica de Tecidos Carlos Renaux, ele passou pela expedição, pelas vendas e pela produção antes de abrir o próprio negócio.

No entanto, Hang percebeu que sua vocação estava menos em produzir e mais em vender. Em 1986, ele fundou a Havan ao lado de Vanderlei de Limas. O nome veio da união dos sobrenomes Hang e Vanderlei.

A sociedade durou cinco anos. Depois disso, Luciano Hang se tornou o único dono da empresa e conduziu a expansão da rede.

Havan 40 anos e a aposta contra o “fim” das lojas físicas

A Havan cresceu justamente quando muita gente dizia que grandes lojas físicas estavam ultrapassadas. Nomes como Mesbla, Mappin e Arapuã desapareceram do varejo nacional, e parte do mercado tratou as lojas de departamento como estruturas pesadas demais.

Entretanto, a Havan seguiu no caminho contrário. Em vez de abandonar o espaço físico, a rede investiu em megalojas, estacionamento, variedade de produtos e forte presença regional.

A empresa também apostou em cidades médias e regiões fora do eixo mais disputado pelas grandes redes. Portanto, transformou a loja em ponto de compra, passeio, encontro e até símbolo de desenvolvimento local.

Varejo brasileiro viu a Havan transformar loja em experiência

A expansão ganhou força principalmente a partir dos anos 2010. Em 2017, a inauguração da 100ª megaloja, em Rio Branco, no Acre, reuniu 150 mil pessoas, segundo a própria empresa.

Esse número mostra algo simples. Para muita cidade brasileira, uma megaloja da Havan não representa apenas mais um comércio.

Ela vira novidade urbana. Além disso, gera movimento, empregos, curiosidade e presença de marca.

Enquanto especialistas repetiam que o futuro estava apenas no digital, a Havan mostrou outro caminho. Consequentemente, a empresa provou que o consumidor ainda valoriza espaço físico, variedade e experiência.

Havan 40 anos: Casa Branca, Estátua da Liberdade e marca reconhecida

A identidade visual da Havan se tornou uma das mais reconhecíveis do varejo brasileiro. Antes mesmo de entrar na loja, o consumidor identifica a fachada, a arquitetura e a Estátua da Liberdade.

A primeira réplica da Estátua da Liberdade foi instalada em Brusque. Depois, o monumento virou assinatura visual da rede em várias regiões do país.

Por outro lado, a figura de Luciano Hang também passou a fazer parte da comunicação da empresa. Durante muitos anos, o grande público nem sabia quem era o dono da rede.

Isso mudou em 2016. Após boatos sobre a propriedade da empresa circularem nas redes sociais, a Havan lançou uma campanha que mostrava Hang e perguntava quem era o dono da marca.

A campanha ganhou reconhecimento no marketing. Além do mais, o apelido “Véio da Havan”, antes usado em tom provocativo, acabou incorporado pela própria comunicação da empresa.

Varejo brasileiro, política e livre iniciativa

A Havan também virou um símbolo cultural. Gostem ou não de Luciano Hang, é difícil negar que a empresa representa uma tese clara: empreendedorismo, presença física, risco privado e expansão regional.

Enquanto parte do debate público tenta demonizar empresários, a Havan mostra o peso de quem trabalha, investe e constrói. Em contraste com a burocracia estatal, a empresa cresceu no mercado real, diante do consumidor real.

Entre 1986 e 2026, o Brasil enfrentou hiperinflação, planos econômicos, crises políticas, pandemia e mudanças no comportamento de compra. No entanto, a Havan atravessou esse período sem abrir capital na bolsa e mantendo a gestão concentrada no fundador.

Esse modelo preservou velocidade e controle estratégico. Entretanto, também limita o acesso público a dados mais detalhados da companhia.

Em conclusão, a Havan 40 anos conta mais do que a história de uma loja. Ela mostra como uma empresa catarinense saiu de 45 metros quadrados e virou um fenômeno nacional.

E a pergunta que fica para o varejo brasileiro é direta: em tempos de aplicativos, marketplaces e compras por clique, quanto da experiência de compra ainda depende da loja física? Até aqui, a resposta da Havan foi ocupar esse espaço com escala, símbolo e uma marca impossível de ignorar.

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