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Ibovespa afunda pelo 9º pregão seguido e Bolsa enfrenta maior série de perdas em 3 anos

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O Ibovespa em queda voltou a preocupar investidores depois de registrar o nono pregão consecutivo de perdas. O principal índice da Bolsa brasileira fechou a sexta-feira, 14, com recuo de 0,1%, aos 166,9 mil pontos.

Na mínima do dia, o Ibovespa chegou aos 164.835,38 pontos. Além disso, o índice acumulou uma queda expressiva de 3,23% somente durante a semana.

A sequência ocorre em meio à forte saída de capital estrangeiro do mercado brasileiro. O cenário político, as incertezas fiscais e os juros elevados também pressionam os investimentos em ações no país.

Ibovespa em queda acumula nove pregões consecutivos

O Ibovespa em queda completou nove sessões seguidas no vermelho. Trata-se da maior sequência negativa registrada pela Bolsa brasileira em aproximadamente três anos.

A última série pior ocorreu entre 1º e 17 de agosto de 2023. Naquela ocasião, a Bolsa acumulou 13 pregões consecutivos de queda.

Agora, durante os nove pregões negativos, o Ibovespa já perdeu 6,22%. Portanto, a pressão sobre o mercado financeiro ganhou força justamente em um momento de maior cautela dos investidores com o Brasil.

Ibovespa em queda acompanha fuga de capital estrangeiro

Um dos principais fatores por trás do Ibovespa em queda envolve a retirada de dinheiro estrangeiro da Bolsa. Grandes fundos internacionais vêm reduzindo sua exposição ao mercado brasileiro.

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, os investidores tentam se proteger da volatilidade provocada pelo período eleitoral e pelas incertezas fiscais. Além disso, resultados corporativos abaixo das expectativas aumentaram a pressão sobre determinados papéis.

A analista destaca empresas com grande participação no índice, como Banco do Brasil e Sabesp. Consequentemente, o desempenho dessas companhias também contribuiu para dificultar uma recuperação da Bolsa.

Dólar sobe enquanto Ibovespa amplia sequência de perdas

Enquanto o Ibovespa em queda preocupa os investidores, o dólar avançou diante do real. A moeda norte-americana encerrou a sexta-feira negociada a R$ 5,219, com valorização de 0,52%.

Durante a sessão, o dólar chegou ao máximo de R$ 5,249. Por outro lado, a menor cotação registrada ao longo do dia ficou em R$ 5,173.

Na semana, a moeda dos Estados Unidos acumulou valorização de 1,88%. Além disso, o dólar já registra alta de 2,16% em agosto, embora ainda apresente queda de 5,64% no acumulado de 2026.

Juros altos pressionam o Ibovespa em queda

A taxa Selic elevada representa outro fator importante para explicar o Ibovespa em queda. Com juros altos, aplicações de renda fixa oferecem retornos atrativos aos investidores.

Isso reduz o incentivo para direcionar recursos à renda variável. Além do mais, juros elevados encarecem o financiamento das empresas listadas e dificultam uma reação mais consistente das ações.

Segundo Rebecca Nossig, essa combinação drena recursos domésticos da Bolsa. Portanto, o mercado enfrenta simultaneamente a saída de investidores estrangeiros e a competição dos investimentos de renda fixa.

Risco fiscal e cenário político afastam investidores

O mercado financeiro brasileiro também acompanha atentamente o ambiente fiscal e político. Segundo a análise apresentada pela estrategista da Nomad, esses fatores ajudam a explicar a retração contínua registrada pela Bolsa.

Grandes fundos globais reduziram sua exposição ao Brasil diante das incertezas fiscais e da volatilidade esperada durante o período eleitoral. Para quem acompanha há anos o aumento dos gastos públicos e as dúvidas sobre a trajetória das contas brasileiras, o movimento acende mais um sinal de alerta.

Entretanto, a pressão não vem apenas da política econômica. Os balanços corporativos do segundo trimestre também apresentaram leituras cautelosas e afetaram empresas relevantes para a composição do Ibovespa.

Ibovespa em queda também sofre pressão internacional

O cenário internacional amplia as dificuldades do Ibovespa em queda. Tensões geopolíticas no Oriente Médio aumentaram a insegurança dos mercados internacionais.

Rebecca Nossig cita o bloqueio das negociações de paz e ataques recentes no Estreito de Ormuz. Além disso, ameaças de retaliações econômicas e bloqueios navais dos Estados Unidos contra o Irã contribuíram para elevar os preços do petróleo.

O encarecimento da energia aumenta o temor de que a inflação global demore mais para recuar. Consequentemente, os juros dos títulos norte-americanos podem permanecer elevados e tornar os mercados emergentes menos atraentes para investidores internacionais.

Investidores estrangeiros retiram bilhões da B3

A saída de recursos ajuda a dimensionar a pressão sobre o Ibovespa em queda. Somente na quarta-feira, 12, investidores estrangeiros retiraram R$ 1,63 bilhão da Bolsa brasileira.

Com esse movimento, as retiradas de capital externo em agosto chegaram a R$ 13,5 bilhões. Entretanto, o saldo acumulado de capital estrangeiro em 2026 ainda permanece positivo.

Desde o começo do ano, o fluxo externo registra saldo positivo de R$ 22,8 bilhões. Por outro lado, a intensidade das retiradas recentes mostra uma mudança relevante no comportamento dos investidores durante agosto.

Mercado financeiro enfrenta combinação de riscos

O Ibovespa em queda reflete uma combinação de fatores internos e externos. O mercado enfrenta incerteza fiscal, período eleitoral, juros elevados, resultados empresariais cautelosos e retirada de recursos estrangeiros.

Além disso, conflitos internacionais pressionam petróleo, inflação e juros globais. Esse ambiente aumenta a procura por ativos considerados mais seguros e reduz a disposição de grandes fundos para assumir riscos em países emergentes.

Em conclusão, os nove pregões consecutivos de perdas colocam a Bolsa brasileira diante de sua maior sequência negativa desde agosto de 2023. A reação do mercado dependerá, entre outros fatores, da política fiscal, do cenário eleitoral, dos juros e do comportamento dos investidores estrangeiros.

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