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Mais de 600 arquivos do celular de Vorcaro foram alterados sob custódia da PF, aponta defesa

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A investigação do Banco Master ganhou um novo capítulo depois que a defesa de Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo apontando alterações em 657 arquivos do celular do empresário enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal (PF).

O documento também identificou a criação de outros 436 arquivos durante o mesmo período. Além disso, os advogados questionam a preservação das provas digitais e pedem acesso aos dados originais do telefone.

O material chegou ao STF nesta quinta-feira (29). Entretanto, a análise particular não comprova que agentes policiais tenham manipulado deliberadamente os arquivos.

A controvérsia surge em meio às investigações sobre operações financeiras do Banco Master e possíveis prejuízos ao Banco de Brasília (BRB). Revista Oeste

Investigação do Banco Master: perícia identifica alterações em 657 arquivos

A defesa de Daniel Vorcaro contratou uma análise técnica para examinar os registros digitais de seu iPhone 17 Pro.

O especialista Marcos Monteiro, da MM Forense, assinou o relatório de 76 páginas em 26 de outubro.

Segundo o documento, o aparelho apresentou 657 arquivos modificados e outros 436 criados depois que a Polícia Federal assumiu sua custódia.

Além disso, o perito identificou registros de funcionamento do telefone durante a madrugada seguinte à prisão do empresário.

A defesa considera os resultados preocupantes e sustenta que as inconsistências exigem esclarecimentos das autoridades.

No entanto, o próprio especialista ressalta que os registros não permitem identificar quem realizou as alterações.

Celular de Vorcaro registrou chamadas, desbloqueio e conexões USB

A Polícia Federal apreendeu o celular de Vorcaro por volta das 22h de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

A apreensão ocorreu na véspera da Operação Compliance Zero.

Segundo o laudo particular, o aparelho registrou um desbloqueio por senha às 23h19 daquele dia.

Em seguida, o sistema registrou duas ligações pelo WhatsApp, destinadas a Walfrido Warde e Martha Graeff.

Às 23h22, alguém ativou o modo avião do telefone, conforme os registros examinados.

Além disso, o perito identificou 207 eventos de ativação e desligamento da tela até a madrugada seguinte.

O relatório também apontou 33 acionamentos da câmera frontal.

Consequentemente, a defesa passou a questionar as condições de preservação do equipamento depois da apreensão.

Perícia do Banco Master aponta modificações em conversas do WhatsApp

Um dos pontos mais relevantes da análise envolve os registros de conexão física do celular.

O sistema identificou conexões pela porta USB às 1h47, 1h48 e 2h24 do dia 18 de novembro.

Poucos segundos depois da segunda conexão, o banco de dados responsável pelo armazenamento das conversas do WhatsApp registrou uma modificação.

O arquivo, chamado ChatStorage.sqlite, integra a estrutura de armazenamento de mensagens do aplicativo no iPhone.

Além disso, a perícia particular encontrou quatro registros de criação ou alteração de senhas entre 2h03 e 2h25.

O último registro coincidiu com o horário em que o delegado Guilherme Alves de Siqueira assinou o pedido de perícia do aparelho.

Entretanto, o especialista esclareceu que uma conexão USB não comprova transferência de informações.

O telefone poderia estar conectado tanto a um computador quanto a um carregador.

Portanto, os registros levantam questões técnicas, mas não demonstram, isoladamente, adulteração intencional de provas.

Defesa de Vorcaro questiona cadeia de custódia das provas digitais

A cadeia de custódia reúne os procedimentos necessários para documentar a coleta, o armazenamento e o manuseio de uma prova.

No caso da investigação do Banco Master, o relatório particular aponta possíveis falhas nessa documentação.

Segundo o perito, o termo de apreensão não apresentava o número de série nem o Imei do celular.

Além disso, os responsáveis registraram informações dos lacres apenas manualmente.

Outro problema apontado envolve o uso de uma mesma fotografia para identificar o iPhone e um tablet apreendido com o empresário.

A análise também não encontrou nos autos o auto circunstanciado da busca mencionado pelo especialista.

Consequentemente, a defesa sustenta que precisa examinar os registros completos para verificar a integridade das informações.

Essas inconsistências, contudo, ainda dependem de avaliação judicial e não significam automaticamente a invalidação das provas.

Defesa pede ao STF acesso aos dados originais da investigação do Banco Master

Os advogados de Vorcaro solicitaram ao STF a entrega dos arquivos originais extraídos do celular.

A Polícia Federal havia disponibilizado um relatório no formato UFDR, produzido pelo programa Cellebrite.

Entretanto, segundo a defesa, esse material não corresponde à totalidade dos dados brutos obtidos durante a extração.

A PF realizou o procedimento em 19 de novembro de 2025, utilizando o equipamento GrayKey.

Além disso, o perito particular afirma que o laudo oficial não informa a versão da ferramenta utilizada.

O documento também não esclarece como os investigadores desbloquearam o aparelho para realizar a extração.

Por outro lado, a análise informa que os investigadores não conseguiram extrair os dados do tablet apreendido com Vorcaro porque desconheciam sua senha.

Mais de 999 arquivos apresentam modificações posteriores à apreensão

O relatório também ampliou a verificação dos registros digitais até setembro de 2026.

Nesse levantamento, o especialista encontrou 999 arquivos com datas de modificação posteriores à apreensão do celular.

Desse total, 340 apresentavam alterações datadas de 13 e 14 de maio de 2026.

Além disso, o perito ressaltou que não poderia determinar a autoria das modificações.

O especialista também evitou concluir que os registros comprometessem necessariamente o conteúdo das provas.

Portanto, a discussão central envolve a necessidade de acesso ao material original e de esclarecimento das circunstâncias técnicas das alterações.

Para fundamentar o pedido, os advogados citaram a Súmula Vinculante nº 14 do STF, que trata do acesso da defesa aos elementos de prova documentados.

A equipe jurídica também mencionou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida em abril, que garantiu a outro investigado acesso integral aos dados extraídos de celulares.

Banco Master e BRB: investigação envolve gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro

O caso integra a investigação sobre operações financeiras realizadas pelo Banco Master.

Na quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro e outros 14 investigados.

A investigação envolve suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Além disso, os investigadores analisam negociações de carteiras de crédito que, segundo a PF, provocaram prejuízos ao Banco de Brasília.

O BRB aparece no centro das apurações por sua participação nessas operações financeiras.

Entretanto, a defesa de Vorcaro contesta as acusações e afirma que nenhuma perícia oficial demonstrou os prejuízos alegados.

Pedido de liberdade de Vorcaro acompanha questionamentos sobre provas

Além de solicitar os dados originais do iPhone, os advogados defenderam a libertação do empresário.

Vorcaro permanece preso em Brasília, conforme as informações divulgadas pela Revista Oeste em 30 de outubro.

A defesa pretende utilizar os resultados da análise particular para questionar a confiabilidade dos procedimentos de preservação das provas.

No entanto, o relatório não demonstra, por si só, que os investigadores tenham inserido informações falsas ou alterado intencionalmente conversas.

A avaliação dessas alegações caberá ao Judiciário, que deverá considerar os registros técnicos e as explicações das autoridades responsáveis.

Além disso, o processo poderá exigir novos esclarecimentos sobre a extração e o armazenamento dos dados digitais.

O episódio coloca em discussão a importância da cadeia de custódia em investigações envolvendo crimes financeiros e provas eletrônicas.

Em conclusão, o novo laudo amplia o debate jurídico sobre a investigação do Banco Master, enquanto a defesa aguarda uma decisão do STF sobre seus pedidos.

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