Brasil
Israel relembra acusações de genocídio feitas por Lula e critica presidente após vitória nas eleições
O governo de Israel voltou a criticar Lula nesta segunda-feira (26), um dia depois da reeleição do presidente brasileiro. O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa’ar, relembrou as acusações de genocídio feitas pelo petista e condenou suas declarações sobre a guerra na Faixa de Gaza.
Além disso, o chanceler destacou a relação de amizade entre Israel e o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A manifestação reforça a crise diplomática entre Brasil e Israel, que ganhou força durante o terceiro mandato de Lula. O governo israelense considera que o presidente brasileiro mantém uma postura hostil aos interesses do Estado judeu.
Governo de Israel critica Lula por acusações de genocídio na Faixa de Gaza
O ministro Gideon Sa’ar utilizou a rede social X para questionar novamente as declarações do presidente Lula sobre o conflito entre Israel e o grupo terrorista Hamas.
O chanceler relembrou que o petista acusou Israel de cometer genocídio contra a população palestina. Além disso, criticou a comparação feita pelo brasileiro entre as operações militares israelenses e o Holocausto.
Em fevereiro de 2024, Lula comparou a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus promovido pelo regime nazista de Adolf Hitler.
A declaração provocou forte reação do governo israelense e abriu uma das maiores crises diplomáticas recentes entre os dois países.
Chanceler israelense relembra declarações polêmicas de Lula
Na publicação, Sa’ar recordou as acusações feitas pelo presidente brasileiro e criticou a utilização do Holocausto como comparação política.
O ministro também mencionou uma declaração de Lula sobre o número de crianças mortas durante os bombardeios em Gaza.
Na ocasião, o presidente brasileiro chegou a mencionar 12,3 milhões de crianças mortas no conflito. Entretanto, esse número não corresponde às estimativas conhecidas de vítimas da guerra.
Além disso, o chanceler demonstrou insatisfação com a postura de lideranças políticas que mantêm proximidade com governos críticos a Israel.
Para Sa’ar, dirigentes internacionais precisam reconhecer a importância dos países que apoiaram Israel durante a guerra.
Crise diplomática entre Brasil e Israel se agravou no governo Lula
As relações diplomáticas entre Brasil e Israel enfrentam dificuldades desde o início do conflito na Faixa de Gaza.
A guerra começou depois dos ataques terroristas do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023.
Desde então, Lula criticou diversas vezes as operações militares israelenses. Por outro lado, o governo de Benjamin Netanyahu acusa o presidente brasileiro de adotar uma posição hostil ao Estado judeu.
Em fevereiro de 2024, depois das declarações que compararam as ações de Israel ao Holocausto, o governo israelense declarou Lula persona non grata.
A expressão significa que o presidente brasileiro passou a ser considerado uma pessoa indesejada pelo governo de Israel.
Israel acusou Lula de antissemitismo após comparação com Hitler
Na época, autoridades israelenses acusaram Lula de antissemitismo por suas declarações sobre o Holocausto.
A comparação provocou indignação porque o regime nazista assassinou aproximadamente seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
Entretanto, Lula manteve suas críticas à atuação militar de Israel na Faixa de Gaza.
O governo brasileiro defende o reconhecimento do Estado palestino e critica as consequências humanitárias das operações militares israelenses.
Por outro lado, Israel sustenta que suas ações militares respondem aos ataques do Hamas e às ameaças contra sua segurança.
A discussão sobre possíveis crimes de guerra e genocídio também chegou a tribunais internacionais. No entanto, as acusações jurídicas e as declarações políticas não representam, por si só, uma condenação definitiva de Israel por genocídio.
Governo Netanyahu reduziu relações diplomáticas com o Brasil
A crise entre os dois países ganhou outro capítulo em agosto de 2025.
Na ocasião, o governo de Benjamin Netanyahu anunciou que passaria a conduzir as relações com o Brasil em um nível diplomático inferior.
A decisão ocorreu depois que o governo brasileiro deixou de conceder autorização para a nomeação de Gali Dagan como embaixador israelense em Brasília.
Esse procedimento diplomático, conhecido como agrément, representa a concordância do país que receberá o diplomata.
Além disso, Israel afirmou que o governo Lula mantinha uma linha crítica e hostil desde os ataques terroristas do Hamas.
Segundo o governo Netanyahu, as declarações que associaram a ofensiva israelense às ações dos nazistas agravaram ainda mais a situação.
Israel destaca Flávio Bolsonaro como aliado após derrota para Lula
Enquanto criticava Lula, o ministro Gideon Sa’ar também manifestou apoio à relação construída entre Israel e Flávio Bolsonaro.
O chanceler classificou o senador brasileiro como um amigo fiel do Estado judeu.
Além disso, mencionou o presidente sérvio Aleksandar Vučić, outro dirigente que mantém relações próximas com o governo israelense.
As declarações ocorreram depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no domingo (25).
Flávio Bolsonaro defendia aproximação diplomática com Israel
Durante sua trajetória política, Flávio Bolsonaro demonstrou alinhamento com o governo de Benjamin Netanyahu.
O senador também defendeu uma mudança na política externa brasileira para fortalecer as relações diplomáticas com Israel.
Entre suas propostas estava a transferência da Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, caso conquistasse a Presidência da República.
A medida representaria uma mudança importante na posição diplomática brasileira sobre a cidade, cujo status permanece entre os principais pontos de disputa no conflito israelense-palestino.
Entretanto, a derrota eleitoral de Flávio manteve Lula no comando da política externa brasileira.
O resultado também provocou manifestações de lideranças internacionais que acompanham as relações entre Brasília e Jerusalém.
Ministro israelense critica Yair Lapid por comentários sobre eleições
Gideon Sa’ar também direcionou críticas ao ex-primeiro-ministro israelense Yair Lapid.
Segundo o chanceler, Lapid associou os resultados eleitorais de Flávio Bolsonaro e Aleksandar Vučić à proximidade desses políticos com Benjamin Netanyahu.
Sa’ar rejeitou essa interpretação e defendeu a importância dos aliados internacionais de Israel.
Além disso, criticou dirigentes que, em sua avaliação, se afastam dos parceiros israelenses enquanto demonstram simpatia por governos que adotam posições contrárias ao país.
O ministro também compartilhou uma publicação da Federação Árabe Palestina do Brasil, que comemorou a reeleição de Lula.
A atitude reforçou o contraste entre as posições do governo israelense e de organizações que apoiam a causa palestina.
Relações entre Lula e Israel devem continuar como desafio diplomático
A nova manifestação do governo israelense mostra que as divergências diplomáticas permanecem mesmo depois das eleições presidenciais brasileiras.
Lula continuará responsável pela condução da política externa nacional, enquanto Israel mantém críticas à posição adotada pelo presidente sobre a guerra em Gaza.
Além disso, o governo Netanyahu demonstra valorizar as relações construídas com lideranças brasileiras que defendem maior aproximação com o Estado judeu.
O episódio também evidencia como as decisões do governo brasileiro podem influenciar suas relações internacionais.
Por outro lado, a continuidade da crise dependerá das próximas manifestações dos dois governos e das iniciativas diplomáticas para reduzir as tensões.
A reeleição de Lula, portanto, não encerrou as divergências com Israel. Pelo contrário, as declarações de Gideon Sa’ar mostram que o relacionamento entre os dois países continuará enfrentando obstáculos enquanto persistirem os desacordos sobre o conflito no Oriente Médio.