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Messias no STF: Lula quer insistir em nome rejeitado pelo Senado, mas calcula o melhor momento
A indicação de Messias ao STF voltou ao centro do tabuleiro político em Brasília. Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, Lula indicou a aliados que deseja apresentar novamente Jorge Messias para uma vaga no Supremo, mesmo depois da derrota no Senado.
No entanto, o petista ainda avalia o melhor momento para fazer esse movimento. Uma das hipóteses discutidas no governo seria deixar a nova tentativa para depois das eleições de outubro.
Ou seja, Lula parece entender que repetir a aposta agora pode gerar nova derrota. Portanto, o Planalto tenta calcular o tamanho do risco antes de comprar mais uma briga com o Senado.
Indicação de Messias ao STF pode ficar para depois das eleições
A ideia em avaliação no governo parte de um cálculo simples. Se Lula vencer a eleição, ele acredita que terá mais força para negociar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Além disso, o governo vê uma eventual reeleição como uma forma de recuperar poder político. Consequentemente, a conversa sobre a indicação de Messias ao STF poderia voltar em outro ambiente.
A primeira tentativa, porém, terminou em derrota amarga. O Senado rejeitou Jorge Messias por 42 votos contrários a 34 favoráveis, conforme informou a própria Agência Senado. A aprovação exigia pelo menos 41 votos favoráveis.
Para o governo, a votação deixou um recado duro. O Senado mostrou que não pretende carimbar qualquer nome enviado pelo Planalto.
Lula avalia outro nome agora e Messias no STF depois
Por outro lado, Lula também analisa uma saída alternativa. Ele poderia indicar outro nome para a vaga aberta no Supremo e insistir em Messias em uma futura oportunidade.
Essa hipótese deixaria Jorge Messias para outra cadeira no STF, caso Lula alcance um eventual quarto mandato. Portanto, o governo tenta preservar o aliado sem provocar, imediatamente, outra derrota pública.
Entretanto, a manobra também revela o tamanho do problema. Quando o presidente precisa esconder seu nome preferido até um “momento melhor”, é sinal de que a articulação política não anda tão confortável assim.
O incômodo de Lula com a rejeição no Senado
Segundo a coluna, Lula disse a aliados que não vê motivo para os senadores terem rejeitado Messias. O presidente também avalia que ainda existe espaço para insistir no ministro da AGU.
No entanto, o próprio governo reconhece que a nova tentativa precisa de negociação mais cuidadosa. Afinal, repetir a indicação sem votos suficientes seria transformar teimosia em vexame político.
Além do mais, a derrota atingiu diretamente o Palácio do Planalto. Messias não era apenas um nome técnico; ele era uma escolha política de confiança de Lula.
Planalto vê acordão contra Messias no STF
Nos bastidores, o Planalto atribui a derrota de Jorge Messias a um acordo entre Davi Alcolumbre, Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes, segundo a apuração do Metrópoles.
A avaliação do governo também inclui a derrubada de vetos de Lula ao PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelo 8 de Janeiro.
Em contraste, a oposição trata o resultado como uma resposta política ao governo. Para críticos de Lula, o Senado apenas exerceu seu papel constitucional e barrou um nome visto como muito ligado ao Planalto.
Sem retaliação pública contra Alcolumbre
Apesar da irritação, Lula indicou a aliados que não pretende retaliar publicamente Davi Alcolumbre. Por exemplo, ele não planeja demitir indicados ligados ao presidente do Senado.
Mesmo assim, o clima segue pesado. O governo quer analisar o cenário com calma antes de decidir o próximo passo.
Além disso, Lula ainda precisa definir o futuro de Jorge Messias dentro do governo. Uma possibilidade citada nos bastidores seria transferi-lo da AGU para o Ministério da Justiça. Nesse caso, Wellington César Lima e Silva deixaria a pasta para assumir outra função.
Messias no STF virou teste de força para Lula
A disputa em torno de Messias no STF já não trata apenas de uma vaga no Supremo. Ela virou um teste de força entre Lula, Senado e os grupos que disputam influência sobre a Corte.
Portanto, o presidente tenta ganhar tempo. Ele quer manter Messias no jogo, mas sabe que precisa evitar nova exposição negativa.
Em conclusão, a insistência de Lula mostra como o STF segue no centro da política nacional. E, como sempre, quando a esquerda fala em “instituições”, geralmente há muito poder em disputa por trás da cortina.