AMÉRICA LATINA
Venezuela prorrogou votação em 2015, e oposição denunciou ilegalidade; caso volta à tona após decisão de Zanin no Brasil
Em 2015, o governo eleitoral venezuelano ampliou o horário das urnas de 18h para 19h, provocando protestos da oposição. Episódio voltou ao debate político após decisão do ministro Cristiano Zanin de estender a votação no segundo turno das eleições brasileiras de 2026.
A prorrogação da votação na Venezuela em 2015 voltou ao centro das discussões políticas depois que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a ampliação do horário eleitoral no Brasil neste domingo (25). O episódio venezuelano ocorreu durante o governo de Nicolás Maduro e provocou acusações de ilegalidade por parte da oposição.
Na ocasião, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela decidiu manter as seções abertas por mais uma hora, das 18h às 19h. Além disso, a medida gerou críticas de integrantes do próprio órgão eleitoral e de observadores internacionais.
O caso ganhou repercussão após a decisão de Zanin de estender a votação brasileira até as 19h no segundo turno presidencial. Entretanto, apesar das semelhanças relacionadas aos horários, os dois episódios ocorreram sob legislações e circunstâncias diferentes.
Venezuela prorrogou votação em 2015 durante governo de Nicolás Maduro
Em 6 de dezembro de 2015, os venezuelanos foram às urnas para escolher os integrantes da Assembleia Nacional. Naquele período, o país enfrentava uma disputa política entre o chavismo e a oposição.
O Conselho Nacional Eleitoral havia estabelecido o encerramento da votação para as 18h. Entretanto, durante o processo eleitoral, o órgão anunciou a prorrogação do funcionamento das seções até as 19h.
Segundo a autoridade eleitoral Sandra Oblitas, a medida buscava garantir o direito de voto de pessoas que ainda aguardavam nas filas.
Além disso, Oblitas afirmou que algumas mesas estavam encerrando suas atividades sem verificar adequadamente a presença de eleitores.
Dessa forma, o CNE justificou a extensão do horário como uma maneira de assegurar a participação daqueles que ainda não haviam votado.
A oposição, entretanto, contestou a decisão e questionou sua legalidade.
Conselho Eleitoral da Venezuela enfrentou divergências internas
A decisão do Conselho Nacional Eleitoral não provocou críticas apenas entre os adversários do governo Maduro.
O próprio integrante do CNE, Luis Emilio Rondón, afirmou que não recebeu comunicação prévia sobre a prorrogação.
Além disso, Rondón classificou a medida como ilegal e questionou seus efeitos sobre a estabilidade do processo eleitoral.
O dirigente argumentou que a alteração poderia aumentar as tensões políticas em um momento de disputa intensa.
Por outro lado, Sandra Oblitas sustentou que a decisão buscava atender eleitores que ainda estavam nas filas.
Consequentemente, o episódio expôs divergências dentro do próprio órgão responsável pela organização das eleições venezuelanas.
Oposição da Venezuela denunciou ilegalidade na prorrogação da votação
A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão que reunia partidos contrários ao governo Nicolás Maduro, rejeitou a ampliação do horário eleitoral.
Segundo a oposição, a legislação venezuelana permitia manter abertas apenas as seções que ainda apresentassem eleitores aguardando para votar.
Entretanto, a coalizão argumentou que o CNE não poderia determinar uma prorrogação geral para todas as seções do país.
O secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, acusou o órgão eleitoral de desrespeitar as regras estabelecidas pela legislação.
Além disso, o ex-integrante do CNE Vicente Díaz também criticou a medida e defendeu o encerramento das seções sem filas.
A oposição temia que a ampliação do horário permitisse novas ações de mobilização eleitoral durante a última hora de votação.
Ex-integrante do CNE questionou a legalidade da medida
Vicente Díaz, que anteriormente havia integrado o Conselho Nacional Eleitoral, apresentou críticas públicas à decisão.
Segundo ele, a legislação não autorizava a extensão indiscriminada do horário em todas as seções.
Além disso, Díaz argumentou que os centros eleitorais deveriam encerrar suas atividades quando não houvesse mais pessoas aguardando.
O posicionamento reforçou as críticas da Mesa da Unidade Democrática.
Entretanto, a contestação da oposição não impediu a continuidade da votação até o horário determinado pelo CNE.
A controvérsia também recebeu cobertura da imprensa internacional, incluindo reportagens publicadas pela agência AFP em dezembro de 2015.
Observadores internacionais criticaram decisão eleitoral na Venezuela
A prorrogação da votação também provocou manifestações de ex-presidentes latino-americanos que acompanhavam as eleições venezuelanas.
Entre eles estavam Jorge Quiroga, da Bolívia, e Andrés Pastrana, da Colômbia.
Além disso, Luis Alberto Lacalle, do Uruguai, e Mireya Moscoso, do Panamá, participaram das críticas.
Os ex-presidentes costarriquenhos Laura Chinchilla e Miguel Ángel Rodríguez também questionaram a medida.
O grupo considerou que a extensão do horário poderia favorecer interesses políticos do governo.
Entretanto, o Conselho Nacional Eleitoral rejeitou as críticas e retirou as credenciais dos ex-presidentes.
Conselho Eleitoral retirou credenciais de ex-presidentes
Na época, o Conselho Nacional Eleitoral tinha Tibisay Lucena como presidente.
Após as manifestações contrárias à prorrogação, o órgão cassou as credenciais dos ex-presidentes que acompanhavam a votação.
Esses representantes internacionais participavam do processo como acompanhantes políticos convidados pela oposição venezuelana.
Além disso, a retirada das credenciais ampliou as divergências entre as autoridades eleitorais e os integrantes da coalizão opositora.
O episódio passou a integrar o conjunto de controvérsias que marcaram as eleições parlamentares de dezembro de 2015.
Apesar da prorrogação, oposição venceu eleições na Venezuela em 2015
Mesmo com as críticas à extensão do horário, a oposição venezuelana conquistou a maioria da Assembleia Nacional.
A Mesa da Unidade Democrática obteve 112 das 167 cadeiras do Parlamento.
Além disso, segundo os números divulgados pelo CNE e reproduzidos pela Revista Oeste, a coalizão recebeu 65,27% dos votos, enquanto o chavismo registrou 32,93%.
O resultado representou uma mudança importante no cenário político venezuelano.
Pela primeira vez em 16 anos, a oposição conquistou maioria no Parlamento do país.
Portanto, a prorrogação da votação não impediu a vitória da coalizão contrária ao governo de Nicolás Maduro.
Resultado encerrou 16 anos de maioria chavista no Parlamento
A vitória da Mesa da Unidade Democrática representou uma mudança na composição da Assembleia Nacional.
A oposição conquistou uma maioria qualificada de dois terços, ampliando suas possibilidades de atuação legislativa.
Além disso, o resultado ocorreu em meio a uma crise econômica e política que atingia a Venezuela.
O governo de Nicolás Maduro enfrentava críticas relacionadas ao desabastecimento, à inflação e às dificuldades econômicas.
Entretanto, a vitória parlamentar da oposição não encerrou os conflitos entre o governo e seus adversários.
Nos anos seguintes, a Venezuela continuou enfrentando disputas institucionais e questionamentos sobre seu sistema eleitoral.
Decisão de Cristiano Zanin no Brasil reacende comparação com a Venezuela
O episódio venezuelano voltou ao debate público depois que o ministro Cristiano Zanin determinou a ampliação do horário de votação no Brasil neste domingo, 25 de outubro de 2026.
A decisão ocorreu durante o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.
Além disso, a medida estendeu o funcionamento das seções eleitorais até as 19h, provocando questionamentos de setores políticos.
A Revista Oeste destacou a semelhança entre a alteração do horário brasileiro e o episódio ocorrido na Venezuela em 2015.
Entretanto, a existência de uma prorrogação nos dois países não significa que as decisões tenham a mesma fundamentação jurídica.
Cada caso depende das regras eleitorais aplicáveis, das circunstâncias e das justificativas apresentadas pelas autoridades responsáveis.
TSE interrompeu temporariamente apuração após decisão de Zanin
Segundo a reportagem da Revista Oeste, a decisão de Zanin também levou o Tribunal Superior Eleitoral a pausar a apuração dos votos.
Além disso, a mudança no horário de encerramento provocou discussões sobre os procedimentos adotados pela Justiça Eleitoral.
O episódio ocorreu em um momento decisivo da disputa presidencial brasileira.
Por outro lado, a controvérsia sobre a prorrogação não constitui, isoladamente, demonstração de irregularidade na contagem dos votos.
Para avaliar a legalidade da decisão, é necessário considerar a fundamentação judicial e as normas eleitorais brasileiras.
Prorrogação da votação na Venezuela e no Brasil levanta debate sobre regras eleitorais
Os episódios da Venezuela, em 2015, e do Brasil, em 2026, colocaram em discussão a possibilidade de ampliar horários de votação.
Em ambos os casos, autoridades eleitorais adotaram medidas que provocaram questionamentos políticos.
Além disso, as decisões chamaram atenção para a importância de regras claras sobre abertura e fechamento das seções.
Na Venezuela, a oposição contestou a prorrogação geral e argumentou que apenas locais com eleitores nas filas poderiam permanecer abertos.
No Brasil, a decisão de Cristiano Zanin também provocou críticas e discussões sobre os limites da atuação judicial durante o processo eleitoral.
Entretanto, a comparação histórica exige considerar as diferenças entre os sistemas jurídicos dos dois países.
Caso venezuelano de 2015 volta ao centro das discussões políticas
A eleição parlamentar venezuelana de 2015 permanece como um episódio relevante na história política da América Latina.
Naquele ano, a oposição denunciou a prorrogação do horário eleitoral, mas conquistou uma vitória expressiva nas urnas.
Além disso, a controvérsia envolveu integrantes do órgão eleitoral, lideranças oposicionistas e representantes internacionais.
Em conclusão, a decisão brasileira de 2026 trouxe novamente o episódio venezuelano para o debate público.
O caso evidencia a importância da transparência, da segurança jurídica e do cumprimento das regras eleitorais, especialmente durante disputas políticas acirradas.
Fonte: Revista Oeste — reportagem de Vanessa Araujo, publicada em 25 de outubro de 2026, às 19h54. Informações complementares da AFP, Folha de S.Paulo e Agência Brasil