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Flávio Bolsonaro defende cancelamento do tarifaço dos EUA e critica adiamento da medida

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A discussão sobre o tarifaço dos EUA contra produtos brasileiros ganhou um novo capítulo nesta terça-feira. Durante uma audiência pública realizada nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a melhor saída é o cancelamento das tarifas, e não apenas o adiamento da medida.

Além disso, o parlamentar afirmou que uma simples prorrogação do prazo não resolveria o problema. Segundo ele, o objetivo deve ser impedir definitivamente a aplicação da sobretaxa sobre produtos brasileiros.

Na visão do senador, a medida prejudicaria empresas, produtores e consumidores brasileiros. Ao mesmo tempo, ele argumentou que a tarifa acabaria fortalecendo politicamente o governo Lula, produzindo um efeito contrário ao esperado pelas autoridades americanas.

Tarifaço dos EUA foi tema de audiência em Washington

Flávio Bolsonaro participou da audiência organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil.

Durante sua participação, o senador explicou que foi aos Estados Unidos defender o fim da sobretaxa. Portanto, ele afirmou que pretende convencer as autoridades americanas de que o diálogo é mais eficiente do que novas barreiras comerciais.

Além do mais, Flávio lembrou que encaminhou um documento de 86 páginas ao governo americano antes da audiência. No material, ele pede a suspensão do tarifaço e também solicita que o Pix fique fora da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Flávio afirma que tarifa fortaleceria Lula

Segundo o senador, caso a tarifa seja aplicada, o principal beneficiado politicamente poderá ser o próprio presidente Lula.

Ele afirmou que uma medida desse tipo acabaria oferecendo ao governo federal um discurso de enfrentamento externo. No entanto, Flávio sustentou que essa consequência não atenderia aos interesses dos Estados Unidos nem da economia brasileira.

Por esse motivo, sua proposta prevê o cancelamento da tarifa adicional enquanto Brasil e Estados Unidos mantêm um canal oficial de negociações para discutir os pontos levantados pela investigação americana. A investigação continuaria normalmente durante esse período.

Investigação dos EUA envolve Pix, etanol e comércio digital

A audiência faz parte da investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos.

O procedimento analisa diferentes políticas brasileiras. Por exemplo, os americanos investigam temas ligados ao comércio digital, ao funcionamento do Pix, à propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol, às tarifas preferenciais, ao combate à corrupção e ao enfrentamento do desmatamento ilegal.

Consequentemente, o governo americano abriu prazo para receber manifestações de empresas, entidades, especialistas e representantes dos dois países antes de anunciar uma decisão definitiva sobre possíveis medidas comerciais.

Governo Lula mantém negociações com Washington

Enquanto Flávio Bolsonaro participa das audiências nos Estados Unidos, o governo Lula continua tentando evitar a aplicação das novas tarifas.

O Palácio do Planalto defende a reversão completa da medida e critica a ideia de apenas adiar sua entrada em vigor para depois das eleições. Em contraste, integrantes do governo entendem que vincular o tema ao calendário eleitoral enfraqueceria a posição brasileira durante as negociações.

Além disso, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços segue negociando diretamente com representantes americanos. O ministro Márcio Elias Rosa já apresentou propostas relacionadas aos demais pontos da investigação, mas deixou claro que o Pix não faz parte das negociações oferecidas pelo Brasil.

Indústria brasileira também participa da discussão

A audiência pública nos Estados Unidos não contou apenas com representantes políticos.

Também participou Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio. Ele representou entidades importantes da indústria brasileira, como a CNI, a Fiesp e a CSN.

Entretanto, cada participante apresentou argumentos próprios durante o debate promovido pelo USTR. A decisão final do governo americano deverá ser anunciada até 15 de julho, após a análise das manifestações recebidas durante a investigação comercial.


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