Brasil
Tarifaço dos EUA acende alerta no setor privado e pressiona governo Lula a negociar
O tarifaço dos EUA virou motivo de preocupação no setor privado brasileiro. Lideranças empresariais já se mobilizam no Brasil e nos Estados Unidos para tentar reverter a proposta americana de taxar produtos brasileiros em 25%.
Tarifaço dos EUA coloca indústria brasileira em estado de alerta
Segundo a CNN Brasil, lideranças dos setores afetados, principalmente da indústria, começaram a montar uma estratégia contra a medida nesta terça-feira, 2 de junho.
O objetivo é convencer o USTR, Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, a recuar.
No entanto, empresários avaliam que o Palácio do Planalto e o Itamaraty precisam mostrar mais disposição para negociar com a Casa Branca.
Ou seja, o setor privado pode até trabalhar tecnicamente.
Mas a caneta política continua nas mãos do governo Lula.
Além disso, o calendário americano já impõe datas importantes.
Os interessados devem pedir participação na audiência até 22 de junho.
Os comentários por escrito vão até 1º de julho.
A audiência pública ocorrerá em 6 de julho.
Por fim, o anúncio final está previsto para 15 de julho.
Tarifaço dos EUA pode atingir 21% das exportações brasileiras
O governo brasileiro calcula que a proposta de tarifas dos EUA afetaria cerca de 21% do que o Brasil vende ao mercado americano.
A taxa sugerida é de 25% sobre diversos produtos brasileiros.
Entretanto, a proposta deixa fora alguns itens estratégicos, como carne bovina, café, petróleo, minérios metálicos, certas frutas, especiarias e outros produtos relevantes para os próprios consumidores americanos.
Consequentemente, o impacto não cairia de forma igual sobre todos os setores.
A indústria deve sofrer mais do que o agronegócio, segundo fontes ouvidas pela CNN.
Máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel cartão, calçados, ferro fundido, peixes e crustáceos aparecem entre os setores mais vulneráveis, de acordo com o ministro Márcio Elias Rosa.
Governo Lula entra pressionado em nova rodada comercial
O tarifaço dos EUA mostra que política externa não se resolve com discurso ideológico.
Por outro lado, também não adianta transformar tudo em palanque doméstico.
O setor privado quer uma saída negociada, porque empresa vive de mercado, contrato, exportação e previsibilidade.
Além do mais, empresários enxergam uma chance de mostrar ao governo americano que produtos brasileiros são essenciais para a economia dos EUA.
A estratégia deve destacar três pontos: necessidade para o mercado interno americano, falta de produção doméstica e ausência de substitutos americanos.
Esse argumento pesa porque uma tarifa mal calibrada pode gerar inflação nos próprios Estados Unidos.
Pix, big techs e minerais críticos entram na mesa
Segundo a apuração da CNN, o setor privado entende que a discussão vai além de uma simples disputa sobre mercadorias.
Os Estados Unidos querem uma negociação mais ampla com o Brasil.
Entre os temas citados estão minerais críticos, regras para big techs, propriedade intelectual e o Pix.
O USTR também acusa práticas brasileiras ligadas a comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Portanto, o recado americano parece claro.
Washington quer usar a pressão comercial para abrir uma conversa maior com Brasília.
Em contraste, o governo Lula tenta vender a crise como ataque político.
Mas o setor produtivo quer resultado, não narrativa.
Tarifaço dos EUA exige pragmatismo, não bravata
O tarifaço dos EUA coloca o governo Lula diante de uma escolha simples.
O Brasil pode negociar com seriedade ou pode apostar em bravata para alimentar sua militância.
No entanto, quem paga a conta de uma disputa mal conduzida não é o político de gabinete.
Quem paga é a indústria, o exportador, o trabalhador e o consumidor.
Além disso, o Brasil precisa entender que mercado internacional não funciona com grito de palanque.
Funciona com acordo, segurança jurídica, respeito a contratos e diplomacia profissional.
Em conclusão, o setor privado tenta fazer sua parte.
Agora falta saber se o governo Lula vai agir com pragmatismo ou se vai transformar mais uma crise econômica em espetáculo ideológico.