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Vorcaro escolheu whisky de R$ 500 mil para presentear Lula, revelam mensagens apreendidas pela Polícia Federal

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O empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, escolheu um whisky de aproximadamente R$ 500 mil para presentear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação consta de mensagens que a Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro durante as investigações envolvendo a instituição financeira.

Segundo reportagem publicada pelo Poder360 nesta quinta-feira (22), Vorcaro procurou uma garrafa rara do whisky escocês Macallan 1945 em outubro de 2024. Além disso, mensagens posteriores indicam que Lula teria agradecido pelo presente, embora as circunstâncias da entrega não estejam esclarecidas.

A revelação também chama atenção pelas visitas de Vorcaro ao Palácio do Planalto e pelos eventos de luxo que o empresário financiou para autoridades brasileiras. Entretanto, os registros apresentados não demonstram, por si só, que o presente tenha influenciado decisões do governo.

Poder360

Vorcaro pediu whisky de R$ 500 mil para presentear Lula em 2024

As mensagens encontradas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro começou a procurar a bebida em 29 de outubro de 2024.

Naquela data, o empresário entrou em contato com Leandro Serrano Giunchetti, apontado como seu operador, e pediu ajuda para localizar uma garrafa especial.

Vorcaro queria encontrar uma edição rara do Macallan 1945 em uma loja de Londres, na Inglaterra. Além disso, deixou claro que pretendia entregar o produto ao presidente Lula.

O conteúdo das conversas apareceu inicialmente em reportagem da revista Veja. Posteriormente, o Poder360 confirmou as informações.

Mensagens da Polícia Federal revelam intenção de presentear Lula

Em uma das mensagens, Vorcaro pediu que Giunchetti verificasse a possibilidade de encontrar a bebida por meio de um contato identificado como Aurel.

O empresário explicou que precisava da garrafa para presentear Lula. Portanto, as mensagens indicam que o presidente era o destinatário pretendido.

Giunchetti respondeu com uma fotografia da bebida e informou o preço estimado.

Na ocasião, o produto custava mais de 80 mil euros. Pela cotação de outubro de 2024, o valor correspondia a aproximadamente R$ 495 mil.

Whisky Macallan 1945 escolhido por Vorcaro é considerado uma bebida rara

O whisky de R$ 500 mil escolhido por Daniel Vorcaro pertence à linha de bebidas especiais da destilaria escocesa Macallan.

O Macallan 1945 é um single malt de edição rara, conhecido pelo longo período de envelhecimento.

A versão mencionada nas conversas passou 56 anos em barris de carvalho antes de chegar ao mercado. Além disso, a destilaria engarrafou a bebida em 2002.

O ano de fabricação também chama atenção por uma coincidência: Lula nasceu em 27 de outubro de 1945.

Preço do whisky se aproxima de meio milhão de reais

O valor informado nas mensagens representa uma quantia incomum até mesmo no mercado de bebidas de luxo.

A garrafa procurada por Vorcaro custava aproximadamente R$ 495 mil na época da negociação.

Entretanto, a reportagem não apresenta comprovantes de pagamento que permitam confirmar quanto o empresário efetivamente desembolsou.

Também não há detalhes sobre a compra, o transporte ou a data exata em que o presente teria chegado ao destinatário.

Advogado de Vorcaro relatou agradecimento de Lula pelo whisky

Uma segunda conversa encontrada no celular do fundador do Banco Master acrescenta informações sobre o episódio.

Em janeiro de 2025, o advogado Walfrido Warde enviou uma mensagem ao empresário depois de visitar o presidente Lula.

Segundo o relato, Lula perguntou como Vorcaro estava e demonstrou interesse em saber se o banqueiro se encontrava mais tranquilo.

Além disso, Warde afirmou que o presidente agradeceu novamente pelo whisky e enviou um abraço ao empresário.

Mensagem de Walfrido Warde indica agradecimento pelo presente

O relato do advogado sugere que Lula tomou conhecimento do presente escolhido por Vorcaro.

Entretanto, a conversa não esclarece quando ocorreu a entrega da bebida nem quem participou desse momento.

A reportagem também não informa se houve registro oficial do presente ou incorporação da garrafa ao patrimônio público.

Portanto, embora a mensagem indique um agradecimento, ainda existem perguntas sobre as circunstâncias da entrega e o destino da bebida.

Vorcaro esteve pelo menos quatro vezes no Palácio do Planalto

A relação entre Daniel Vorcaro e integrantes do governo federal também aparece em registros de visitas ao Palácio do Planalto.

Segundo o Poder360, documentos do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) mostram que o fundador do Banco Master entrou no complexo presidencial pelo menos quatro vezes entre 2023 e 2024.

O jornal obteve essas informações por meio da Lei de Acesso à Informação.

Além disso, uma das visitas ocorreu em 4 de dezembro de 2024, aproximadamente dois meses depois das mensagens sobre o whisky.

Encontro de dezembro não apareceu na agenda oficial de Lula

A visita de Vorcaro ao Planalto em dezembro de 2024 não constava da agenda oficial do presidente Lula.

Naquele período, o Banco Master já enfrentava dificuldades de liquidez, e seu fundador procurava alternativas para a situação financeira da instituição.

Entretanto, os registros fornecidos pelo governo não identificam com quais autoridades Vorcaro se reuniu.

Também não esclarecem se o empresário participou de reuniões privadas ou cerimônias oficiais.

Por outro lado, o levantamento não encontrou registros de entrada de Vorcaro no Planalto durante 2025 e 2026.

Consequentemente, os documentos comprovam as visitas registradas, mas não permitem concluir que todos os encontros envolveram diretamente o presidente.

Banco Master financiou eventos de luxo com whisky para autoridades

O whisky de R$ 500 mil destinado a Lula não representa o único episódio envolvendo bebidas de alto valor e Daniel Vorcaro.

O empresário também financiou eventos internacionais que reuniram autoridades brasileiras e ofereceram experiências gastronômicas de luxo.

Entre os participantes mencionados na reportagem estão o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Além disso, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) participou de encontros semelhantes nos Estados Unidos.

Alexandre de Moraes e diretor da PF participaram de degustação em Londres

Em 25 de abril de 2024, Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues participaram de uma degustação de whisky em Londres.

O evento integrou o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, que contou com patrocínio do Banco Master.

Segundo documentos encaminhados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a experiência custou US$ 640.831,88, aproximadamente R$ 3,2 milhões.

O valor abrangia serviços gastronômicos e atividades de entretenimento. Além disso, os convidados receberam garrafas da marca Macallan ao final do encontro.

A participação no evento, isoladamente, não comprova qualquer irregularidade por parte das autoridades presentes.

Cláudio Castro também participou de eventos financiados por Vorcaro

O ex-governador Cláudio Castro participou de pelo menos dois eventos com degustação de whisky em Nova York, entre 2023 e 2024.

Segundo a Polícia Federal, Vorcaro desembolsou mais de US$ 13 mil para financiar um jantar realizado em maio de 2023.

Castro agradeceu ao empresário no dia seguinte e elogiou a experiência.

Entretanto, o ex-governador também passou a aparecer em investigações relacionadas ao Banco Master.

Em maio de 2026, a Polícia Federal realizou a oitava fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes financeiros envolvendo o Rioprevidência.

A operação contou com autorização do ministro André Mendonça, relator dos inquéritos sobre fraudes relacionadas ao Banco Master no STF.

Governo Lula reage à reportagem sobre whisky de R$ 500 mil

O Poder360 procurou a Presidência da República para comentar as mensagens envolvendo Daniel Vorcaro e o whisky destinado a Lula.

Em resposta, o governo rejeitou as interpretações políticas sobre o episódio.

A Presidência afirmou que a divulgação dessas informações na reta final das eleições presidenciais de 2026 alimenta especulações.

Além disso, a manifestação oficial questionou a intenção de relacionar o caso à disputa eleitoral.

Presidência critica divulgação do caso na reta final das eleições

Na nota encaminhada ao Poder360, a Presidência repudiou o que classificou como especulações sem fundamento.

O governo também afirmou que a divulgação do episódio teria o propósito de interferir no debate eleitoral.

Entretanto, a manifestação não detalhou as circunstâncias da entrega do whisky nem esclareceu se o presidente recebeu pessoalmente a garrafa.

A resposta representa o posicionamento oficial da Presidência diante das informações publicadas.

Caso Banco Master amplia debate sobre relações entre empresários e autoridades

As mensagens sobre o whisky de R$ 500 mil acrescentam um novo elemento às discussões sobre as relações de Daniel Vorcaro com autoridades brasileiras.

Os registros mostram que o empresário procurou uma bebida de alto valor para Lula e manteve contatos com pessoas próximas ao presidente.

Além disso, documentos obtidos pela imprensa revelam visitas ao Palácio do Planalto e eventos internacionais patrocinados pelo Banco Master.

Por outro lado, a existência desses contatos não demonstra automaticamente favorecimento político, corrupção ou interferência em decisões administrativas.

Presentes de luxo e transparência pública entram em discussão

O episódio levanta questões sobre os critérios de recebimento e registro de presentes destinados a autoridades públicas.

Entre os pontos ainda sem esclarecimento estão a data da entrega, o destino da garrafa e a eventual existência de documentação oficial.

Portanto, a análise do caso depende de informações adicionais que permitam compreender as circunstâncias do presente.

Em conclusão, as mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram a intenção de Vorcaro de presentear Lula com uma bebida avaliada em quase meio milhão de reais, enquanto o relato posterior de seu advogado indica um agradecimento do presidente.

A reportagem, contudo, não apresenta provas de que o presente tenha gerado qualquer contrapartida política ou financeira.

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