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Dono do Banco Master editava vídeos de Gabriela Prioli apresentados como opinião espontânea, revela Estadão
Uma reportagem do Estadão revelou que o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, participava da elaboração e revisão de conteúdos publicados pela advogada e influenciadora Gabriela Prioli. Segundo mensagens obtidas pelo jornal, os vídeos de Gabriela Prioli sobre o Banco Master passavam pela avaliação do banqueiro e de sua equipe de comunicação, embora fossem apresentados ao público como opiniões independentes.
A investigação jornalística aponta que Prioli teria participado de um acordo comercial de 12 meses para produzir conteúdos favoráveis à instituição financeira. Além disso, as conversas indicam que Vorcaro sugeria mudanças nos roteiros e interferia na estratégia de divulgação.
Entretanto, Gabriela Prioli nega ter recebido pagamentos do Banco Master ou firmado contrato diretamente com a instituição. A advogada também contesta a interpretação das mensagens e afirma que Vorcaro não editou seus conteúdos.
Terra
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Banco Master teria contratado Gabriela Prioli para defender instituição nas redes sociais
De acordo com a reportagem publicada em 16 de outubro de 2026, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam uma estratégia de comunicação envolvendo influenciadores digitais.
Ana Matos, responsável pela comunicação e pelo marketing do Banco Master entre 2023 e 2025, aparece nas conversas discutindo contratos, roteiros e publicações. Segundo os diálogos, Gabriela Prioli integrava um grupo de aproximadamente 15 influenciadores de diferentes posições políticas.
O objetivo da estratégia, conforme a reportagem, era defender os negócios do Banco Master e responder às críticas da imprensa. Além disso, os conteúdos abordavam questionamentos sobre operações financeiras da instituição, que enfrentava investigações por suspeitas de fraudes bilionárias.
Gabriela Prioli teria firmado acordo de 12 meses com o Banco Master
As mensagens indicam que a equipe de comunicação do banco tratava a participação de Gabriela Prioli como parte de um acordo comercial.
Em uma conversa, Ana Matos informou a Vorcaro que o contrato estava assinado. A executiva também relatou que trabalhava com a influenciadora na preparação de conteúdos.
Entretanto, o material divulgado não esclarece quanto Prioli teria recebido pelo suposto acordo. A reportagem também não apresentou, nos trechos consultados, comprovantes de transferência do banco para a advogada.
Daniel Vorcaro sugeria alterações nos vídeos de Gabriela Prioli
As conversas reveladas pelo Estadão mostram que Daniel Vorcaro acompanhava o conteúdo das publicações antes de sua divulgação.
Em 6 de abril de 2025, o banqueiro elogiou a estratégia envolvendo Gabriela Prioli. A reportagem também identificou referências a pelo menos quatro publicações relacionadas à equipe de comunicação do Master.
Além disso, em 28 de maio, Ana Matos informou que preparava um texto para a influenciadora e solicitou a opinião do empresário.
Vorcaro respondeu que o conteúdo deveria concentrar as críticas nos jornalistas, e não no banco BTG. A orientação demonstra, segundo o jornal, como o empresário buscava interferir no direcionamento das mensagens.
Vídeo de Gabriela Prioli passou por pedidos de alteração
Outro episódio ocorreu em 28 de julho de 2025, quando Ana Matos encaminhou a Vorcaro um vídeo gravado pela influenciadora.
O banqueiro avaliou o material e pediu alterações. Entretanto, dois dias depois, a executiva informou que Prioli havia incorporado as sugestões da equipe.
Na conversa, Ana Matos também destacou que a influenciadora possuía mais de seis milhões de seguidores. Além disso, mencionou a importância da publicação para a estratégia de comunicação do banco.
Essas mensagens são um dos principais elementos apresentados pelo Estadão para sustentar a existência de interferência editorial. No entanto, Prioli contesta que Vorcaro tenha editado seus vídeos.
Gabriela Prioli defendia investimentos em CDBs do Banco Master
Entre os conteúdos que ganharam repercussão está um vídeo publicado em abril de 2025. Na gravação, Gabriela Prioli discutia a segurança dos investimentos em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) oferecidos pelo Banco Master.
A influenciadora questionava críticas direcionadas à instituição e levantava a possibilidade de interesses comerciais por trás de parte dos ataques. Além disso, destacava aspectos dos produtos financeiros oferecidos pelo banco.
O vídeo voltou a circular nas redes sociais em outubro de 2026. Entretanto, a divulgação das mensagens atribuídas à equipe de Vorcaro trouxe novos questionamentos sobre a origem das informações apresentadas.
CDBs do Banco Master e a importância da transparência financeira
Os CDBs são investimentos de renda fixa emitidos por instituições financeiras para captar recursos. Em troca, os bancos oferecem remuneração aos investidores conforme as condições contratadas.
Entretanto, taxas de rentabilidade elevadas podem estar associadas a riscos maiores. Por isso, investidores precisam avaliar a situação financeira da instituição emissora antes de aplicar recursos.
Além disso, a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) possui limites e condições específicas. A existência dessa proteção não elimina todos os riscos de uma aplicação.
Nesse contexto, a divulgação de informações financeiras por influenciadores exige atenção à transparência. Quando existe remuneração ou interesse comercial, a identificação adequada da publicidade ajuda o público a distinguir uma recomendação patrocinada de uma opinião independente.
Gabriela Prioli nega contrato e pagamentos do Banco Master
Após a divulgação da reportagem, Gabriela Prioli voltou a negar qualquer relação comercial com o Banco Master ou Daniel Vorcaro.
Em nota, a defesa afirmou que o banqueiro jamais editou, aprovou ou orientou os conteúdos produzidos pela influenciadora. Além disso, questionou a ausência de documentos que comprovassem o suposto contrato e os pagamentos mencionados nas conversas.
Prioli declarou que todo o faturamento de sua empresa possui documentação fiscal. Segundo ela, nenhuma nota fiscal teve como destinatário o Banco Master ou empresas ligadas a Vorcaro.
A advogada também argumentou que mensagens trocadas por terceiros sobre seu nome não comprovam sua participação nas negociações. Portanto, rejeitou as acusações e informou que adotaria as medidas cabíveis.
Empresa de Gabriela Prioli registrou faturamento milionário em 2025
O Estadão também consultou documentos financeiros da empresa utilizada por Gabriela Prioli em suas atividades profissionais.
Segundo a reportagem, a empresa registrou receita bruta de R$ 14,9 milhões em 2025. Além disso, contabilizou distribuição de lucros de aproximadamente R$ 1 milhão.
Entretanto, esses valores não representam pagamentos realizados pelo Banco Master. O jornal não estabeleceu, com esses dados, uma ligação financeira direta entre o faturamento da empresa e o suposto contrato.
A distinção é importante porque o faturamento empresarial pode envolver diversas fontes de receita. Portanto, os números não comprovam, isoladamente, qualquer pagamento relacionado aos vídeos investigados.
Caso Banco Master levanta debate sobre publicidade e influência digital
As mensagens divulgadas pelo Estadão colocam em discussão a relação entre instituições financeiras, influenciadores digitais e campanhas de comunicação.
O material indica que o Banco Master buscava ampliar sua presença nas redes sociais durante um período de questionamentos sobre suas operações. Além disso, a equipe de marketing acompanhava a repercussão das publicações e discutia o momento adequado para divulgá-las.
Em uma das conversas, Vorcaro recomendou adiar um vídeo porque outro assunto dominava o noticiário. A decisão ocorreu em 30 de julho de 2025, quando o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky.
A estratégia mostra como a equipe do banqueiro acompanhava acontecimentos políticos para planejar sua comunicação. Entretanto, a participação efetiva de Prioli em um acordo comercial continua sendo contestada pela influenciadora.
Vídeos sobre o Banco Master foram retirados das redes sociais
A reportagem identificou referências a pelo menos quatro publicações de Gabriela Prioli relacionadas à estratégia de comunicação do banco.
Os conteúdos não estavam mais disponíveis nos perfis da influenciadora quando o jornal realizou a apuração. No entanto, algumas gravações continuaram circulando por meio de republicações de outros usuários.
Além disso, Prioli já havia publicado um esclarecimento em janeiro de 2026, negando participação na rede de influenciadores supostamente contratados para defender o Banco Master.
O caso apresenta duas versões distintas: as mensagens atribuídas à equipe de Vorcaro e a negativa pública da advogada.
A principal questão permanece relacionada à existência de um eventual acordo comercial não identificado nas publicações. A divulgação de novos documentos poderá ajudar a esclarecer a natureza da relação descrita nas conversas.