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Empresa da filha de Augusto Cury faturou quase R$ 20 milhões em contratos públicos com prefeituras

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A empresa que tem Camila Cury, filha do candidato à Presidência Augusto Cury (Avante), como sócia acumulou quase R$ 20 milhões em contratos públicos entre 2023 e 2026. Os negócios envolveram prefeituras e outros órgãos públicos de quatro Estados brasileiros.

Segundo levantamento da Folha de S.Paulo repercutido pela Revista Oeste, a Multifocal RP Distribuição de Livros e Cursos Ltda., que usa o nome-fantasia Gênios Educacional, fechou pelo menos R$ 19,9 milhões em contratos com 24 entes públicos. Ao todo, a apuração identificou 28 contratos, todos celebrados por dispensa de licitação.

O levantamento ganha relevância também pelo momento político. Augusto Cury disputa a Presidência da República pelo Avante nas eleições de 2026, enquanto sua filha integra formalmente o quadro societário da companhia citada.

Contratos públicos somam quase R$ 20 milhões

A apuração consultou dados disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas e em edições de Diários Oficiais. Os contratos públicos encontrados envolvem administrações de Santa Catarina, Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul.

Santa Catarina concentrou aproximadamente R$ 7,6 milhões nas contratações identificadas. Minas Gerais veio logo depois, com cerca de R$ 6,6 milhões.

Além disso, municípios de Alagoas e do Rio Grande do Sul também fecharam negócios com a empresa. Os valores, produtos e serviços contratados mudaram conforme cada administração municipal.

Maior contrato público chegou a R$ 5,8 milhões

A Prefeitura de Itajaí, em Santa Catarina, aparece com o maior dos contratos públicos encontrados. O município fechou o acordo em abril de 2024 pelo valor de R$ 5,8 milhões, dividido em seis parcelas.

O projeto previa um programa socioemocional e a entrega de material pedagógico para alunos da educação infantil e do ensino fundamental. Além disso, o contrato incluía encontros on-line com Camila Cury.

O acordo também previa uma palestra presencial de Augusto Cury, com uma hora de duração. A contratação contemplava ainda 27,5 mil livros para estudantes e outros 19,6 mil exemplares destinados às famílias dos alunos.

Prefeitura de Itajaí rescindiu contrato

A atual administração municipal informou que a gestão anterior havia celebrado o contrato. No entanto, a prefeitura posteriormente rescindiu a execução da proposta.

Segundo o município, nenhuma escola ou estudante da rede municipal recebe atualmente essa metodologia. Portanto, o programa previsto inicialmente deixou de funcionar na rede de ensino de Itajaí.

Contratos públicos tiveram valores diferentes por aluno

Os contratos públicos também apresentam diferenças importantes no custo dos programas conforme a cidade e o período. Em contratos realizados em 2026, o custo indicado chegou a R$ 320 por estudante.

Por outro lado, Porto União, em Santa Catarina, pagou R$ 260 por aluno em 2025. Já em Sapiranga, no Rio Grande do Sul, a prefeitura assinou um contrato de R$ 1,8 milhão em outubro daquele ano.

Nesse caso, o acordo previa a aquisição de 6 mil livros. Entretanto, segundo o levantamento, o documento não fazia referência à contratação de cursos ou palestras.

Campo Alegre realizou duas contratações

Em Campo Alegre, Alagoas, a prefeitura contratou a empresa em duas ocasiões. Em fevereiro de 2025, a administração municipal comprou R$ 644,4 mil em livros pedagógicos.

Além do mais, em maio de 2026, Campo Alegre fez outra contratação, agora no valor de R$ 733,1 mil, destinada a kits escolares. As duas operações integram o conjunto de contratos públicos identificado no levantamento.

Dispensa de licitação nos contratos públicos

Um dos pontos que mais chama atenção no levantamento é que os 28 contratos públicos identificados foram fechados por dispensa de licitação. As administrações municipais apresentaram fundamentos diferentes para justificar o procedimento.

Parte dos órgãos públicos classificou a companhia como fornecedora exclusiva dos materiais contratados. Outros recorreram à justificativa de notória especialização.

Por exemplo, Campo Alegre enquadrou a contratação realizada em 2026 como serviço de profissional do setor artístico. Já Porto União registrou que a empresa possuía exclusividade na edição, publicação, distribuição e comercialização das soluções educacionais adquiridas.

A dispensa de licitação, por si só, não significa que houve irregularidade. Entretanto, o volume financeiro e o número de contratos colocam as justificativas adotadas pelas administrações públicas no centro das informações reveladas pelo levantamento.

O que Augusto Cury respondeu sobre os contratos

Augusto Cury afirmou à Folha de S.Paulo que todos os negócios são regulares. O candidato também ressaltou que não integra formalmente o quadro societário das empresas.

Além disso, Cury declarou que, caso seja eleito presidente da República, não pretende manter contratos públicos federais com empresas familiares. Em relação a eventuais negócios dessas companhias com Estados e municípios, afirmou que a decisão cabe aos respectivos gestores.

Portanto, o levantamento apresenta os valores, os objetos das contratações e as justificativas administrativas usadas para dispensar licitações. A existência desses contratos, isoladamente, não demonstra irregularidade, e Augusto Cury sustenta que os negócios são regulares.


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