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Lulinha orientou emissão de nota fiscal para empresário com R$ 85,7 milhões em contratos com governo, mostram mensagens da PF
A investigação da PF sobre Lulinha ganhou novos elementos com mensagens apreendidas pela Polícia Federal. Os diálogos mostram Fábio Luís Lula da Silva orientando a lobista Roberta Luchsinger sobre uma nota fiscal destinada ao empresário Cleber Ribas.
Ribas é dono da 3Structure It Ltda., empresa que acumulou R$ 85,7 milhões em contratos com o governo federal. A apuração analisa as relações do filho do presidente Lula com empresários e sua possível atuação junto a órgãos públicos.
Além disso, o conteúdo das mensagens veio a público por meio da coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles. Os diálogos integram um inquérito que alcança personagens ligados ao governo federal.
Investigação da PF sobre Lulinha revela orientação sobre nota fiscal
Em uma conversa de 24 de julho de 2023, Lulinha pediu que Roberta convidasse Carlos Eduardo Gabas, ex-ministro da Previdência, para ir à Praia do Forte, na Bahia. Durante o diálogo, a lobista afirmou que havia procurado diferentes pessoas ligadas ao poder público.
Roberta disse que já havia falado com Fernando, contador, governador, secretários e outras pessoas. Na sequência, Lulinha orientou: “Emite a NF pro Cleber”.
Ela respondeu que já havia feito isso. Lulinha então comemorou a informação.
Entretanto, Cleber Ribas também aparece como investigado pela PF no mesmo inquérito. A empresa dele teria transferido pelo menos R$ 150 mil à RL Consultoria, empresa de Roberta.
Investigação da PF sobre Lulinha alcança empresário com contratos milionários
Segundo as informações publicadas, o pagamento envolvia serviços de prospecção de clientes e identificação de oportunidades comerciais no setor de tecnologia. Cleber Ribas sustenta que a operação ocorreu de forma legítima.
A 3Structure It surgiu em 2019 e tem sede em Florianópolis. A empresa celebrou seis contratos com o governo federal, somando R$ 85,7 milhões.
Além disso, pelo menos cinco contratos passaram por processos licitatórios. O maior negócio envolveu o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Em 2023, o ministério contratou a companhia para fornecer uma solução voltada à sustentação de seu ambiente analítico de dados. O valor acumulado desse contrato supera R$ 42 milhões.
Contratos milionários com governo federal entram no foco do caso
A investigação da PF sobre Lulinha também reúne informações relacionadas aos contratos da 3Structure It com a administração federal. Outro acordo citado na apuração envolve a Telebras.
Segundo as mensagens analisadas pelos investigadores, Roberta mantinha interlocução com integrantes da estatal. O relatório policial também registra movimentações envolvendo Ribas e o filho de Lula.
Em 31 de maio de 2023, por exemplo, Cleber Ribas pediu a Roberta uma reunião com Lulinha. Dias depois, o empresário informou que Rodrigo Assumpção havia assumido a presidência da Dataprev.
Além disso, os ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizaram as investigações envolvendo Lulinha. A apuração analisa seus contatos com empresários e uma eventual atuação junto a órgãos do governo federal.
Investigação da PF sobre Lulinha analisa contatos no governo
As mensagens reveladas também indicam contatos de Roberta e Lulinha com integrantes do núcleo do governo Lula. Em uma conversa, o filho do presidente mencionou reuniões com dois nomes importantes.
Um deles é Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava a chefia de gabinete de Lula. O outro é Swedenberger Barbosa, o Berger, que comandava a Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.
Marcola figurava entre os principais assessores presidenciais e mantinha interlocução com integrantes do governo. Berger, segundo a investigação, teria facilitado o acesso de Antonio Carlos Camilo Antunes ao Ministério da Saúde.
Antunes ficou conhecido nacionalmente como Careca do INSS. A PF investiga sua participação no caso dos descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.
Careca do INSS aparece nas apurações envolvendo Roberta
A investigação da PF sobre Lulinha também se cruza com informações sobre o Careca do INSS. Segundo a Polícia Federal, Antunes teria repassado R$ 1,5 milhão a Roberta Luchsinger.
Em uma das transferências, o lobista teria informado a um interlocutor que o dinheiro seguiria para o “filho do rapaz”. A expressão passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.
Além disso, a PF encontrou mensagens nas quais Roberta tratava da compra de brincos de diamantes, conhecidos como solitários, e de um colar para Marcola. Interlocutores da defesa do ex-assessor apresentaram uma explicação para as joias.
Segundo eles, os itens custaram R$ 9,2 mil e tinham relação com um empréstimo de R$ 249 mil feito por Marcola com Roberta. A defesa afirma que ele posteriormente quitou a dívida com juros e correção.
Lulinha e Roberta aparecem em novos diálogos
Outra conversa chamou atenção dos investigadores. Roberta afirmou que ela e Lulinha atuavam em um “nível diferenciado” e declarou que “o futuro é a Suíça”.
O diálogo também cita contatos com integrantes do governo. Entretanto, as defesas contestam interpretações feitas a partir de trechos isolados das conversas.
Esse ponto é essencial para compreender o caso: as mensagens fazem parte de uma investigação em andamento. Portanto, sua existência não representa, por si só, comprovação de crime praticado pelos citados.
Defesa de Lulinha contesta divulgação de mensagens da PF
A defesa de Lulinha criticou a divulgação dos elementos da investigação da PF sobre Lulinha. Os advogados disseram que não comentarão nem validarão fragmentos de informações sigilosas divulgadas fora do contexto original.
Guilherme Suguimori e Marco Aurélio de Carvalho, advogados do filho do presidente, também questionaram a origem e a integridade do material. Eles afirmaram que a divulgação pode representar violação do sigilo funcional.
Além disso, os defensores argumentaram que a seleção de determinados trechos pode gerar narrativas distorcidas. A defesa pretende se manifestar nos autos depois de obter acesso integral aos dados das quebras de sigilo.
A defesa de Cleber Ribas também afirmou que não poderia comentar mensagens sem acesso integral ao conteúdo. Os advogados definiram a relação entre Ribas e Lulinha como “estritamente pessoal”, decorrente de amizade e sem vínculo profissional ou comercial.
Empresário nega favorecimento em contratos com governo
Os defensores de Cleber Ribas sustentam que os contratos da 3Structure It com o governo seguiram os procedimentos previstos na legislação. Eles também negam qualquer favorecimento na obtenção dos negócios.
Em relação aos R$ 150 mil transferidos para a empresa de Roberta, Ribas afirma que contratou a RL Consultoria para assessoria comercial. O trabalho envolveria prospecção de clientes e identificação de oportunidades no setor de tecnologia.
Além do mais, a defesa afirma que a operação teve escrituração, contabilização, tributação e documentação regulares. Os advogados negam relação entre esse serviço e os contratos governamentais da 3Structure It.
Roberto Podval, advogado que assumiu a defesa de Roberta Luchsinger, preferiu não comentar o conteúdo. Ele justificou sua posição pelo sigilo do inquérito.
Investigação também alcança tentativa de negócio com Cannabis medicinal
A investigação da PF sobre Lulinha ainda possui conexões com outra frente envolvendo Antonio Carlos Camilo Antunes. Segundo a apuração, o Careca do INSS tentava viabilizar um contrato milionário envolvendo Cannabis medicinal.
O objetivo seria avançar em uma operação para compra do produto pelo Ministério da Saúde. Roberta e Lulinha também aparecem nas investigações relacionadas à atuação de Antunes.
No entanto, a iniciativa não avançou. A deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, interrompeu o movimento.
A operação investiga o esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Consequentemente, diferentes núcleos de investigação passaram a revelar contatos, pagamentos e relações que agora recebem atenção dos investigadores.
Caso amplia pressão por esclarecimentos
Os novos diálogos acrescentam elementos a uma investigação que envolve empresários, contratos milionários e personagens próximos ao governo Lula. Ao mesmo tempo, as defesas negam irregularidades e contestam conclusões construídas com mensagens apresentadas de maneira fragmentada.
Por outro lado, chama atenção o fato de o filho do presidente aparecer orientando a emissão de uma nota fiscal destinada a um empresário cuja companhia mantém dezenas de milhões de reais em contratos públicos.
Em conclusão, cabe à investigação determinar a natureza dessas relações e se houve alguma irregularidade. Até lá, o caso certamente continuará produzindo questionamentos políticos e exigindo esclarecimentos sobre as conexões reveladas pela PF.