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Lula não vai ao 1º de Maio após derrotas no Congresso e deixa atos da esquerda esvaziados

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O Lula 1º de Maio de 2026 começou com ausência, desgaste político e uma esquerda tentando reorganizar o discurso depois de uma semana dura no Congresso Nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez pronunciamento em rede nacional na quinta-feira, 30 de abril, mas decidiu não participar dos atos do Dia Internacional do Trabalhador nesta sexta-feira, 1º de maio.

A decisão repetiu o que já havia ocorrido em 2025. Portanto, pelo segundo ano seguido, Lula ficou fora das manifestações presenciais da data que historicamente serviu como vitrine política para o PT e para as centrais sindicais.

Sem o presidente, aliados tentaram concentrar esforços em São Paulo, principalmente na capital e na região metropolitana. No entanto, os atos apareceram de forma fragmentada, sem a força nacional que o governo gostaria de exibir em ano eleitoral.

Lula 1º de Maio fica marcado por ausência e atos divididos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participou de um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. O local tem peso simbólico para o PT, já que foi ali que Lula ganhou projeção nacional como líder sindical.

Além disso, Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, dividiu agenda entre São Bernardo do Campo e outro ato da Força Sindical no bairro da Liberdade, na capital paulista.

A programação também contou com Marina Silva, da Rede, e Simone Tebet, do MDB, apontadas como pré-candidatas ao Senado. Por outro lado, a ausência de Lula roubou o centro da cena e deixou aliados com a missão de segurar o palanque sem o principal nome do governo.

Derrotas no Congresso ampliam desgaste do governo

A semana já havia começado mal para o Planalto. O Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal, em uma derrota considerada histórica para o governo.

Segundo a Gazeta do Povo, a tradição de aprovação de indicados ao STF foi rompida após 132 anos. Além disso, a articulação pela rejeição teve protagonismo atribuído ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

No dia seguinte, a oposição conseguiu restabelecer o projeto de lei da dosimetria. A proposta pode reduzir penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pelo suposto plano golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Consequentemente, o governo chegou ao Dia do Trabalhador pressionado, sem vitória para comemorar e com a oposição avançando em pautas sensíveis. Em contraste, a esquerda tentou usar a data para falar em direitos trabalhistas, mas encontrou um ambiente político bem menos favorável.

Avenida Paulista também virou revés para a esquerda

Outro ponto de desgaste apareceu em São Paulo. A Central Sindical e Popular Conlutas perdeu a chance de realizar protesto na Avenida Paulista no 1º de Maio.

Isso ocorreu porque o movimento Patriotas do QG já havia comunicado à Polícia Militar de São Paulo, desde 2024, a intenção de fazer evento no mesmo dia e local. Portanto, até o espaço simbólico da Paulista entrou na conta das derrotas políticas da semana.

Para a esquerda, a situação pesou ainda mais porque o Dia do Trabalhador costuma servir como demonstração de rua. Entretanto, desta vez, o governo viu a oposição ocupar terreno e ganhar narrativa em uma data tradicionalmente explorada pelo PT.

Janones criticou ausência de Lula no 1º de Maio

A ausência de Lula também provocou incômodo dentro do próprio campo aliado. O deputado federal André Janones, do Avante de Minas Gerais, criticou publicamente a decisão do presidente.

Na avaliação dele, Lula perdeu uma oportunidade de convocar manifestações em todo o país em torno de uma pauta capaz de mobilizar trabalhadores. Além disso, Janones afirmou que este seria o último Dia do Trabalhador antes do debate eleitoral sobre a escala 6×1.

O parlamentar também defendeu que Lula deveria usar sua biografia de ex-metalúrgico para impulsionar a pauta trabalhista. No entanto, Janones avaliou que o 1º de Maio ficou apagado, fraco e abaixo do momento político.

Escala 6×1 vira aposta eleitoral do governo

O 1º de Maio de 2026 ocorre enquanto o governo articula a aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 antes das eleições. A proposta virou uma das principais apostas políticas do Planalto para tentar recuperar força junto ao eleitorado trabalhador.

Por outro lado, setores produtivos criticam a medida e divulgam estudos sobre impactos no Produto Interno Bruto. Assim, a discussão deixou de ser apenas trabalhista e entrou também no campo econômico.

O governo quer transformar a pauta em bandeira eleitoral. Entretanto, parte do debate já aponta para a possibilidade de empurrar a decisão para o próximo mandato, justamente por causa das resistências no Congresso e no setor privado.

Último ato com Lula teve cobrança pública

A última participação presencial de Lula em um 1º de Maio ocorreu em 2024, na Neo Química Arena, em Itaquera, zona leste de São Paulo. O evento reuniu pouco mais de 1.660 pessoas e irritou o presidente.

Na ocasião, Lula cobrou publicamente o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo. Ele afirmou que o ato havia sido mal convocado e que faltou esforço para levar mais gente ao evento.

Em conclusão, o Lula 1º de Maio de 2026 mostrou um governo pressionado, uma esquerda sem unidade nas ruas e uma oposição mais ativa no Congresso. Para um presidente que nasceu politicamente do sindicalismo, a ausência nesta data disse muito sobre o momento delicado do Planalto.

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