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Plano de socorro do BRB pode travar no Tesouro após banco pedir garantia da União para empréstimo bilionário

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O plano de socorro do BRB pode enfrentar uma barreira pesada no Tesouro Nacional. O secretário do Tesouro, Daniel Leal, sinalizou na quarta-feira, 29 de abril, que deve recusar o pedido do Banco de Brasília para ter a União como garantidora de um socorro bilionário.

A fala ocorreu durante a apresentação do balanço de março do Tesouro. Portanto, o alerta veio em um momento sensível para o banco regional, que busca reforçar o caixa depois de problemas ligados a operações com carteiras consideradas podres do Master.

Segundo a reportagem do SBT News, o BRB quer tomar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. No entanto, para tentar obter condições melhores, o banco busca uma garantia da União.

Plano de socorro do BRB esbarra em exigência fiscal

O ponto central está na situação fiscal do Banco de Brasília. O Tesouro exige Capacidade de Pagamento, a chamada Capag, em nível A ou B para conceder esse tipo de garantia.

Entretanto, o BRB aparece atualmente com nota C. Consequentemente, o banco fica abaixo do padrão mínimo exigido pelo Tesouro para que a União entre como garantidora da operação.

Na prática, a garantia federal daria mais segurança ao credor e poderia abrir caminho para juros menores. Por outro lado, quando a União assume esse tipo de papel, o risco também entra no radar do contribuinte.

Pedido do GDF terá que ser reenviado

Daniel Leal confirmou que recebeu o ofício enviado pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do PP. No entanto, ele afirmou que o pedido não seguiu o rito correto.

Com isso, o GDF terá que reenviar o requerimento nos padrões exigidos pelo Tesouro. Só depois disso a análise formal poderá começar.

Além disso, o secretário evitou comentar todos os critérios técnicos antes de receber a documentação completa. Ainda assim, ele deixou claro que a nota fiscal do BRB pesa contra a aprovação da garantia.

Depois do envio correto, o Tesouro estima prazo de 10 dias para dar uma resposta. Esse período inclui diligências sobre a real situação do Banco de Brasília.

BRB busca R$ 6,6 bilhões no FGC

O plano de socorro do BRB envolve um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos. O objetivo declarado é reforçar o caixa do banco depois do rombo bilionário deixado por operações com carteiras podres do Master.

Esse detalhe aumenta a pressão política e financeira sobre o caso. Afinal, não se trata de uma operação pequena, mas de um socorro bilionário para um banco ligado ao Distrito Federal.

Além do mais, o SBT News informou que o GDF não explicou quais contrapartidas ofereceria ao Tesouro em troca dessa proteção creditícia. Portanto, o pedido ainda deixa perguntas importantes em aberto.

Para o leitor comum, a dúvida é simples: quem banca o risco se a operação der errado? Em contraste com o discurso técnico, essa é a pergunta que interessa ao cidadão que paga imposto.

Moody’s rebaixou rating do BRB e apontou falta de transparência

A situação do BRB já vinha chamando atenção do mercado. No início de abril, a agência de risco Moody’s rebaixou o rating do banco de BBB- para CCC+ e manteve a nota em revisão para novo possível corte.

Além disso, a agência apontou falta de transparência recente. O motivo foi a ausência de divulgação das demonstrações financeiras do banco no fim de março, dentro do prazo regulatório.

A expectativa, segundo a reportagem, é que o balanço saia no fim deste mês. Esse documento também aparece como uma das condições exigidas pelo FGC para liberar o empréstimo.

Portanto, o banco precisa convencer o Tesouro, o FGC e o mercado ao mesmo tempo. Não é pouca coisa.

Governo do DF já cortou gastos

Na semana passada, Celina Leão assinou um decreto de contenção de gastos no governo do Distrito Federal. O texto manda órgãos da administração direta, autárquica, fundacional e estatais dependentes revisarem contratos em até 60 dias.

A meta é renegociar valores e reduzir despesas. Segundo o SBT News, o corte pode chegar a 25% das despesas previstas nesses contratos.

Por outro lado, o decreto também restringiu o aumento de gastos com pessoal. Assim, reajustes salariais, criação de cargos, novas estruturas administrativas e pagamento de horas extras ficam suspensos, salvo exceções legais ou áreas essenciais com autorização da Secretaria de Economia.

Tesouro coloca freio em operação sensível

O plano de socorro do BRB virou um teste importante para a relação entre o banco, o GDF e a União. O Tesouro, ao sinalizar resistência, mostra que não pretende liberar garantia sem cumprir os critérios fiscais.

Em conclusão, o caso mistura crise bancária, risco fiscal e pressão política. O BRB busca dinheiro novo para reforçar o caixa, mas a nota C na Capag, o rebaixamento da Moody’s e a falta de demonstrações financeiras completas tornam a operação bem mais complicada.

Para a direita, fica mais uma lição óbvia: quando a gestão falha, alguém tenta empurrar a conta para o Estado. Entretanto, desta vez, o Tesouro parece pouco disposto a colocar a União como fiadora de um problema bilionário.

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