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Rejeição de Messias ao STF vira vitória de Alcolumbre e expõe nova derrota histórica de Lula no Senado
A rejeição de Messias ao Supremo Tribunal Federal virou uma das maiores derrotas políticas do governo Lula no Senado. O advogado-geral da União, Jorge Messias, recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, mas precisava de pelo menos 41 votos para ser aprovado.
O resultado fortaleceu Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que atuou contra a indicação. No entanto, segundo o cientista político Creomar de Souza, essa vitória também pode cobrar um preço político do próprio Alcolumbre.
Para o governo Lula, o recado foi duro. Portanto, a votação mostrou que o Planalto já não controla o Senado como gostaria, mesmo quando tenta emplacar um nome para a Corte mais poderosa do país.
Rejeição de Messias foi vitória direta de Alcolumbre
A rejeição de Messias representou uma vitória clara para Alcolumbre. O presidente do Senado se posicionou contra o nome do advogado-geral da União desde o início das articulações.
Além disso, Alcolumbre tinha preferência por Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais, que também era cotado para a vaga no STF. Essa disputa de bastidor pesou muito no andamento da indicação.
Messias chegou a ser recebido por Alcolumbre na semana anterior à votação. Entretanto, o presidente do Senado não assumiu compromisso de apoio ao indicado de Lula.
Nos bastidores, Alcolumbre pediu a pelo menos dois senadores que votassem contra Messias, segundo relatos citados na reportagem. Consequentemente, a derrota não apareceu como surpresa para quem acompanhava a articulação no Congresso.
Placar no Senado impôs derrota pesada ao governo Lula
O plenário do Senado barrou Messias por 42 votos contra 34. A oposição e parte do Centrão conseguiram impor ao governo uma derrota de peso institucional.
Antes disso, a Comissão de Constituição e Justiça havia aprovado o nome de Messias por 16 votos a 11. Por outro lado, esse placar já mostrava fragilidade, pois foi o mais apertado desde a redemocratização, segundo a análise publicada.
Na prática, Lula sofreu um revés raro em uma indicação para o Supremo. O episódio também expôs a dificuldade do governo em construir maioria segura no Senado.
Além do mais, a derrota ocorreu em um tema de alto impacto. Afinal, a escolha de um ministro do STF não é uma pauta qualquer; ela influencia decisões políticas, jurídicas e institucionais por muitos anos.
Efeito rebote pode atingir Alcolumbre
A rejeição de Messias fortaleceu Alcolumbre no curto prazo. No entanto, Creomar de Souza avaliou que o senador terá que lidar com o chamado “efeito rebote” dessa vitória.
Segundo o cientista político, Alcolumbre pode perder indicações que possui na estrutura do governo federal. Portanto, a vitória contra Lula no Senado não veio sem risco.
Por outro lado, Alcolumbre também não deve ser tratado automaticamente como aliado querido pela base bolsonarista. Ele barrou o nome de Messias, mas isso não significa adesão plena ao campo da direita.
Esse é o jogo de Brasília. Muitas vezes, o personagem ganha uma batalha, mas abre uma conta para pagar depois.
STF também sente o impacto da rejeição de Messias
A derrota de Messias tende a aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal. Segundo Creomar, parte da Corte atuou nos bastidores em favor da indicação, e o resultado criou um ambiente de incerteza.
Além disso, o analista afirmou que Alcolumbre poderia não apreciar um novo nome antes das eleições de outubro. Se isso acontecer, o STF seguirá com a vaga aberta por mais tempo.
O recado também atinge o Planalto. Lula terá que reconstruir sua articulação, escolher outro nome e evitar uma segunda derrota no Senado.
Entretanto, nada indica que esse caminho será simples. Depois de uma votação tão simbólica, qualquer novo indicado chegará ao Congresso sob pressão ampliada.
Dosimetria pode abrir nova crise entre Congresso e STF
A reportagem também conecta o caso Messias ao projeto da dosimetria. O tema envolve a redução de penas ligadas aos atos de 8 de janeiro e pode gerar nova tensão entre Congresso, STF e campo bolsonarista.
O veto de Lula ao projeto entrou no radar político. Consequentemente, se o Congresso derrubar o veto, o Supremo pode receber uma provocação para analisar a constitucionalidade da mudança.
Em contraste com o discurso de normalidade do governo, a semana mostrou um Planalto acuado. Primeiro, perdeu a indicação ao STF. Depois, viu o Senado ganhar força em uma pauta sensível para a esquerda.
Rejeição de Messias muda o jogo político em Brasília
A rejeição de Messias deixou claro que Lula enfrenta um Senado menos obediente. O governo apostou em Jorge Messias, mas não conseguiu entregar os votos necessários.
Em conclusão, Alcolumbre venceu a queda de braço contra o Planalto, embora agora precise administrar os efeitos políticos dessa vitória. Para a direita, o episódio confirma uma coisa: quando o Senado resolve exercer poder, nem Lula consegue tratar indicação ao STF como simples carimbo.
O governo sai menor, o Senado sai mais forte, e o próximo indicado ao Supremo já começará a disputa carregando o peso dessa derrota histórica.