Brasil/Estados Unidos
Lula e Trump devem se reunir nos EUA nesta semana em meio a tarifas, Venezuela e crise diplomática
Lula e Trump devem se encontrar nos Estados Unidos nesta semana, em uma reunião cercada por tensão política, comércio exterior e disputas diplomáticas. Segundo fontes do governo brasileiro ouvidas pela Reuters, Lula deve viajar na quarta-feira, 6 de maio, e se reunir com Donald Trump na quinta-feira, 7 de maio.
A Casa Branca não comentou imediatamente a informação. No entanto, os dois presidentes já haviam combinado uma visita de Lula a Washington durante uma ligação no início do ano.
O encontro aparece em um momento delicado para o Planalto. Além disso, ocorre depois de derrotas políticas recentes do governo no Congresso e em meio à tentativa de Lula de recuperar espaço no cenário internacional.
Lula e Trump devem ter reunião em Washington
A reunião entre Lula e Trump deve ocorrer em Washington, capital dos Estados Unidos. A viagem estava prevista desde uma conversa telefônica anterior entre os dois líderes, mas a agenda acabou não acontecendo em março.
Agora, segundo a Reuters, fontes do governo brasileiro indicaram que a visita deve finalmente sair do papel. Portanto, Lula tenta abrir uma nova rodada de conversa direta com o presidente americano.
O detalhe curioso é o contraste político. Lula passou anos tratando Trump como adversário ideológico, mas agora precisa sentar à mesa com o republicano para tratar de interesses concretos do Brasil.
Lula e Trump falaram por telefone em janeiro
A aproximação entre Lula e Trump ganhou força em 26 de janeiro. Naquele dia, os dois conversaram por telefone durante cerca de 50 minutos, segundo comunicado do governo brasileiro citado pela Reuters.
A pauta incluiu Venezuela, combate ao crime organizado e a proposta de Trump para um Conselho de Paz. Além disso, Lula defendeu que qualquer iniciativa sobre Gaza tivesse participação palestina e não competisse com a ONU.
Por outro lado, a Venezuela segue como ponto sensível. Lula já criticou a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos e classificou o episódio como uma linha “inaceitável”, segundo a Reuters.
Tarifas dos EUA devem entrar na pauta
O comércio deve ocupar lugar central na conversa entre Lula e Trump. Em outubro de 2025, Lula pediu a Trump, por telefone, que retirasse a tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos a importações brasileiras.
A AP informou que o governo Trump aplicou essa tarifa de 40% sobre produtos brasileiros depois de já ter adotado uma taxa anterior de 10%. A justificativa americana envolveu políticas do Brasil e a persecução criminal contra Jair Bolsonaro.
Entretanto, Lula lembrou a Trump que o Brasil está entre os países do G20 com os quais os Estados Unidos mantêm superávit comercial. Consequentemente, a pauta econômica deve voltar com força na reunião desta semana.
Encontro também envolve minerais críticos e segurança
Além de tarifas, a agenda pode envolver minerais críticos, segurança pública e crime organizado. Veículos econômicos apontaram que os Estados Unidos querem ampliar a conversa sobre insumos estratégicos, como lítio e terras-raras.
O tema interessa muito a Washington. Afinal, minerais críticos entram em cadeias de alta tecnologia, defesa, baterias, energia e indústria pesada.
Outro ponto sensível envolve PCC e Comando Vermelho. Segundo o Money Report, autoridades brasileiras acompanham com preocupação a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções brasileiras como organizações terroristas internacionais.
Crise com Venezuela pode gerar atrito
A crise venezuelana deve aparecer na conversa entre Lula e Trump. A Reuters informou que, na ligação de janeiro, Lula defendeu paz e estabilidade regional ao tratar do tema.
No entanto, o governo americano tem adotado uma linha muito mais dura contra o chavismo. Em contraste, Lula costuma tratar o regime venezuelano com maior cautela diplomática.
Esse ponto pode gerar ruído. Para a direita brasileira, a postura de Lula diante de ditaduras latino-americanas sempre foi um dos pontos mais frágeis de sua política externa.
Lula tenta recuperar imagem externa após derrotas internas
A viagem também tem peso político doméstico. Depois de sofrer derrotas no Senado e no Congresso, Lula tenta usar a agenda internacional para mostrar força.
Segundo o Money Report, o encontro acontece em um cenário delicado para o governo brasileiro, após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. Além disso, a reunião vem logo depois da derrubada de veto presidencial ao projeto da Dosimetria.
Portanto, a foto ao lado de Trump pode virar peça política no Brasil. No entanto, também pode expor Lula a cobranças duras sobre comércio, segurança, Venezuela e a relação com Bolsonaro.
Reunião pode testar o pragmatismo de Lula
O encontro entre Lula e Trump será um teste de pragmatismo. De um lado, Lula precisa negociar com o principal líder da direita mundial. Do outro, Trump costuma cobrar contrapartidas claras de aliados e parceiros.
A relação entre os dois já teve momentos de tensão e de aproximação. Em outubro de 2025, Lula disse que Trump havia garantido um acordo comercial entre os dois países, enquanto o americano adotou tom mais cauteloso ao dizer que não sabia se algo aconteceria.
Em conclusão, a viagem pode abrir uma nova fase na relação entre Brasil e Estados Unidos. Porém, se Lula tentar levar apenas discurso ideológico para uma mesa dominada por tarifas, segurança e interesses estratégicos, Trump dificilmente deixará a conta passar barato.