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Marqueteiro de Flávio Bolsonaro: quem é Eduardo Fischer, o publicitário chamado após crise no caso Vorcaro
O marqueteiro de Flávio Bolsonaro agora é Eduardo Fischer, nome conhecido da publicidade brasileira e escolhido para assumir a comunicação da pré-campanha do senador à Presidência. A troca ocorreu após a crise envolvendo áudios enviados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em negociação para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
A mudança, portanto, não caiu do céu. Ela veio em um momento de pressão política, desgaste de imagem e cobrança interna por uma reação mais organizada.
Marqueteiro de Flávio Bolsonaro chega após saída de Marcello Lopes
O marqueteiro de Flávio Bolsonaro substitui Marcello Lopes, que deixou a pré-campanha depois de uma reunião com o senador. Pela versão oficial, Lopes comunicou que não poderia seguir no projeto porque precisava focar na própria empresa e nos próprios negócios.
No entanto, o UOL informou que fontes do entorno de Flávio apontaram outro cenário. Segundo essas fontes, a atuação de Lopes não vinha sendo bem avaliada.
Além disso, aliados teriam considerado que ele conduziu mal as respostas e versões do senador durante a crise. Consequentemente, pessoas próximas aconselharam Flávio a fazer a troca o quanto antes.
A campanha, em bom português, decidiu trocar a engrenagem da comunicação antes que o problema virasse incêndio maior.
Eduardo Fischer tem histórico forte na publicidade
Eduardo Fischer não é um nome qualquer no mercado. Ele fundou e preside a Agência Fischer, além de ter comandado campanhas famosas como “Brahma número 1” e “A volta do Baixinho da Kaiser”.
A Abramark, Academia Brasileira de Marketing, apresenta Fischer como um dos pioneiros da comunicação integrada no Brasil. A entidade também cita cases como “Baby Telesp Celular”, “Experimenta Nova Schin” e SWU.
Além disso, Fischer idealizou o evento “É Tempo de Brasil”, realizado no Museu do Louvre, na França, durante a Copa do Mundo de 1998. Segundo a Abramark, ele conquistou mais de 700 prêmios no Brasil e no exterior.
Por outro lado, o desafio eleitoral costuma ser bem diferente de vender cerveja, celular ou evento cultural. Na política, cada frase vira munição, cada silêncio vira tese e cada crise ganha vida própria.
Marqueteiro de Flávio Bolsonaro já atuou em campanha presidencial
O marqueteiro de Flávio Bolsonaro também tem passagem pela política nacional. Em 2018, Fischer atuou na consultoria estratégica da campanha presidencial de Álvaro Dias.
Naquele ano, Álvaro Dias teve pouco mais de 859 mil votos, o equivalente a 0,80% do total. Portanto, Fischer chega agora com uma experiência política anterior, embora sua maior fama venha mesmo da propaganda comercial.
Em abril de 2017, ele defendeu uma reforma política para regularizar melhor a parte da publicidade eleitoral. Na ocasião, afirmou à Folha que o ambiente era pouco claro para quem trabalha com campanhas políticas.
Indicação veio de Rogério Marinho
A chegada de Fischer ocorreu por indicação de Rogério Marinho, senador pelo PL do Rio Grande do Norte e coordenador da pré-campanha. No entanto, segundo o UOL, o nome já enfrentava resistências internas.
Uma fonte da pré-campanha disse que Fischer estaria “desatualizado”. A crítica mostra que, mesmo dentro de um projeto político, a disputa por comando e estratégia nunca sai de cena.
Entretanto, a CNN Brasil informou que Fischer assumiria com “carta branca” para promover mudanças na equipe de comunicação. A missão, segundo pessoas do entorno, seria recuperar a confiança no pré-candidato depois do desgaste com o caso Master.
Além do mais, a expectativa era que ele fizesse reformulações na equipe e trouxesse nomes de sua confiança. Esse tipo de movimento costuma indicar tentativa de centralizar discurso, reduzir ruído e evitar novas respostas desencontradas.
Caso Vorcaro pressionou a pré-campanha
A crise que abriu espaço para o novo marqueteiro de Flávio Bolsonaro envolve mensagens e áudios trocados entre Flávio e Daniel Vorcaro. Segundo o UOL, as conversas mostram negociação de R$ 134 milhões para financiar “Dark Horse”.
A reportagem informou que R$ 61 milhões, metade do valor combinado, foram pagos por Vorcaro. A informação foi atribuída a Thiago Miranda, dono da agência digital que intermediou contatos do banqueiro com a família Bolsonaro.
Flávio confirmou que negociou com Vorcaro, mas negou ter oferecido vantagens em troca do financiamento. O senador também repetiu que o recurso seria “dinheiro privado”. A defesa de Vorcaro afirmou que não comentaria o caso.
Em contraste com a versão de crise sem saída, a troca de comunicação tenta organizar a narrativa. E, na política, quem perde a narrativa passa o resto da campanha respondendo pergunta dos outros.
Comunicação será peça central na campanha
A escolha de Eduardo Fischer mostra que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro quer reposicionar sua comunicação. O movimento busca misturar experiência publicitária, controle de danos e tentativa de reconstruir confiança.
No entanto, o desafio é grande. Fischer entra em campo quando a campanha já sofre desgaste público, pressão interna e ataques de adversários.
Além disso, a eleição presidencial exige mensagem simples, disciplina diária e reação rápida. Não basta ter currículo premiado; é preciso transformar crise em discurso compreensível para o eleitor comum.
Em conclusão, Eduardo Fischer chega como aposta de peso para reorganizar a comunicação de Flávio. Agora, resta saber se o publicitário conseguirá levar para a política a mesma força de marca que construiu na propaganda brasileira.