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Moro no STF: Cármen Lúcia assume ação penal por calúnia contra Gilmar Mendes
O caso Moro no STF ganhou novo capítulo com a definição da ministra Cármen Lúcia como relatora da ação penal contra o senador Sergio Moro, do União Brasil do Paraná. O processo trata de uma acusação de calúnia contra o ministro Gilmar Mendes.
A denúncia nasceu depois da divulgação de um vídeo em que Moro aparece em uma festa junina. Na gravação, ele faz uma fala sobre “comprar um habeas corpus” de Gilmar Mendes, frase que virou munição política e jurídica.
No entanto, a defesa de Moro sustenta que tudo não passou de uma brincadeira infeliz. Além disso, os advogados alegam que o vídeo saiu de contexto e não teve intenção de acusar o ministro.
Moro no STF vira mais um capítulo da disputa com Gilmar
O caso Moro no STF não surgiu em um ambiente neutro. Afinal, Sergio Moro e Gilmar Mendes acumulam anos de embates públicos desde a Lava Jato.
A Procuradoria-Geral da República acusa Moro de ter imputado falsamente a Gilmar o crime de corrupção passiva. Portanto, na visão da PGR, a fala teria ultrapassado o limite da piada e entrado no campo penal.
Por outro lado, Moro afirma que a denúncia não faz sentido. O senador já classificou o caso como uma ação por “piada” feita em ambiente informal.
Cármen Lúcia conduzirá a ação penal
Cármen Lúcia ficará responsável por conduzir os próximos passos da ação penal. Isso significa que o processo entra agora em uma fase mais séria, com produção de provas e movimentações da acusação e da defesa.
Entretanto, receber a denúncia não significa condenar Moro. A própria dinâmica do processo ainda permite defesa, testemunhas e análise final do mérito.
Mesmo assim, a situação cria desgaste político. Um senador de oposição, ex-juiz da Lava Jato e pré-candidato forte no Paraná, passa a responder formalmente no Supremo.
Vídeo de festa junina virou processo criminal
A fala que colocou Moro no STF ocorreu em um vídeo que circulou nas redes sociais em 2023. Na cena, uma pessoa fala sobre “subornar o velho”, e Moro responde com referência a “fiança” e “habeas corpus” de Gilmar Mendes.
A PGR entendeu que a frase atacou a honra do ministro. Consequentemente, pediu o andamento de uma ação penal por calúnia.
Além do mais, a acusação afirma que Moro teria atribuído falsamente a Gilmar a prática de corrupção passiva. Esse crime aparece no artigo 317 do Código Penal, conforme a denúncia citada pela imprensa.
Defesa fala em brincadeira e frase fora de contexto
A defesa de Moro insiste que a frase ocorreu em tom de brincadeira. Segundo os advogados, o vídeo teria sido divulgado em fragmentos e sem o contexto completo.
No entanto, a Primeira Turma do STF manteve o processo em andamento. Em março de 2026, os ministros rejeitaram, por unanimidade, embargos de declaração apresentados por Moro contra a decisão que recebeu a denúncia.
Portanto, o caso avançou para uma nova etapa. Agora, Moro terá que responder à ação penal, e não apenas discutir se a denúncia deveria ou não seguir.
Ação penal contra Moro ocorre em ano eleitoral
O avanço do caso Moro no STF também tem peso eleitoral. O senador aparece no debate político do Paraná e segue como uma das figuras mais conhecidas da direita no estado.
Em contraste, seus adversários veem no processo uma chance de desgaste. Para a esquerda, a ação reforça críticas antigas contra o ex-juiz da Lava Jato.
Já para muitos conservadores, o episódio parece mais um capítulo de perseguição seletiva. Afinal, transformar uma fala de festa junina em ação penal no Supremo soa, no mínimo, como zelo seletivo demais.
Supremo analisará mérito depois da instrução
A ação penal seguirá para instrução criminal. Nessa fase, acusação e defesa podem produzir provas, ouvir testemunhas e apresentar seus argumentos.
Entretanto, o julgamento final ainda não aconteceu. Moro pode acabar absolvido ou condenado, dependendo da avaliação do Supremo sobre o mérito.
Em conclusão, o caso mostra como a Lava Jato continua assombrando Brasília. Gilmar Mendes e Sergio Moro seguem em lados opostos, e agora Cármen Lúcia terá nas mãos mais uma disputa de alta voltagem política.