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Abasteça o carro antes de 26 de outubro: governo Lula pode deixar gasolina e diesel mais caros após as eleições
O preço da gasolina e do diesel no Brasil pode enfrentar uma nova pressão de alta depois das eleições presidenciais de 2026. Uma análise publicada pela Revista Oeste alerta que medidas adotadas pelo governo Lula para reduzir os preços dos combustíveis têm prazo de validade e podem pesar no bolso dos brasileiros nas próximas semanas.
O alerta envolve o encerramento de desonerações tributárias e subsídios que ajudam a conter os preços nas bombas. Além disso, o custo fiscal dessas medidas já alcança aproximadamente R$ 46,2 bilhões, segundo os valores apresentados pelo economista Alexandre Bertoncello.
A preocupação aumenta porque parte dos benefícios termina em 9 de novembro, apenas 15 dias depois do segundo turno presidencial. Entretanto, isso não significa que haverá um aumento automático dos combustíveis em 26 de outubro.
Revista Oeste
Preço da gasolina pode subir após o fim dos benefícios do governo Lula
O economista Alexandre Bertoncello, especialista em mercado financeiro, publicou uma análise sobre os riscos da política de combustíveis adotada pelo governo federal.
Segundo ele, o governo Lula utiliza desonerações e subsídios para manter os preços abaixo dos níveis que poderiam prevalecer sem essas medidas. Entretanto, a estratégia transfere parte dos custos para as contas públicas.
Na avaliação do economista, o consumidor percebe o alívio ao abastecer, mas não enxerga imediatamente o impacto fiscal. Além disso, todos os contribuintes acabam participando do financiamento dessas políticas, mesmo aqueles que não possuem veículos.
Bertoncello fundamenta sua análise em informações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Banco Central e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Gasolina, diesel e etanol: veja os preços e os benefícios atuais
Os valores apresentados na reportagem mostram como os combustíveis estão sendo comercializados em São Paulo.
| Combustível | Preço médio por litro | Benefício informado |
|---|---|---|
| Gasolina comum | R$ 6,34 | R$ 0,89 |
| Diesel | R$ 6,55 | R$ 1,40* |
| Etanol | R$ 3,91 | R$ 0,19 |
*A subvenção de R$ 1,40 refere-se ao diesel importado. Valores citados na análise publicada em 11 de outubro de 2026.
Segundo Bertoncello, sem os benefícios, os preços poderiam apresentar diferenças de até 14,04% na gasolina, 21,37% no diesel e 4,86% no etanol.
Entretanto, esses percentuais representam uma comparação simplificada, não uma previsão de reajuste nas bombas. O comportamento real dos preços também depende do petróleo, do câmbio, da distribuição e das margens comerciais.
Governo Lula gastou R$ 46,2 bilhões em subsídios e desonerações dos combustíveis
A política de redução dos preços dos combustíveis envolve recursos expressivos. Segundo a análise da Revista Oeste, o custo fiscal anunciado desde o início das medidas chega a aproximadamente R$ 46,2 bilhões.
Esse montante reúne diferentes formas de intervenção econômica. Parte corresponde à arrecadação tributária que o governo deixa de receber, enquanto outra parte envolve pagamentos de subsídios.
Além disso, empresas do setor de combustíveis recebem benefícios financeiros para ajudar a conter os preços ao consumidor. O economista argumenta que essa estratégia pode aumentar a pressão sobre o orçamento federal.
O problema, segundo ele, surge quando medidas temporárias criam despesas ou reduzem receitas sem uma solução permanente. Consequentemente, o governo precisa administrar os efeitos sobre a dívida pública e o equilíbrio fiscal.
Subsídios podem beneficiar motoristas, mas pressionam as contas públicas
A redução dos preços dos combustíveis produz efeitos positivos imediatos para milhões de brasileiros. Motoristas, caminhoneiros e empresas de transporte conseguem diminuir parte de seus gastos.
Entretanto, os recursos utilizados para sustentar essa política possuem um custo para o setor público. Na avaliação de Bertoncello, o benefício nas bombas não elimina a despesa, apenas modifica sua distribuição.
Além disso, consumidores que não possuem automóveis também participam indiretamente do financiamento das medidas por meio das contas públicas.
A crítica central do economista é que o governo oferece alívio temporário sem necessariamente resolver as causas estruturais dos preços elevados.
Preço da gasolina e do diesel pode pressionar ainda mais a inflação brasileira
O possível aumento dos combustíveis preocupa porque a inflação brasileira já apresenta sinais de pressão.
Segundo os números citados na reportagem, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 4,58% nos últimos 12 meses.
O resultado supera a meta central de inflação, estabelecida em 3% ao ano. Além disso, ultrapassa o limite superior de tolerância de 4,5%.
O economista destaca que combustíveis influenciam diretamente os gastos das famílias. Entretanto, os efeitos não ficam restritos aos postos de abastecimento.
Quando o diesel encarece, por exemplo, transportadoras podem enfrentar custos maiores para movimentar alimentos, medicamentos e mercadorias. Consequentemente, parte dessas despesas pode chegar aos consumidores por meio dos preços finais.
Aumento dos combustíveis pode elevar a inflação em até 1,4 ponto percentual
A análise apresenta uma estimativa sobre os efeitos de possíveis reajustes.
Segundo a metodologia utilizada pelo economista, uma variação de 1% nos preços dos combustíveis pode representar aproximadamente 0,06 ponto percentual de impacto direto no IPCA.
Além disso, os efeitos indiretos sobre transporte, produção e distribuição poderiam acrescentar cerca de 0,02 ponto percentual.
Portanto, o impacto combinado poderia chegar a 0,08 ponto percentual para cada aumento de 1% nos combustíveis, conforme as hipóteses do estudo.
Em um cenário de alta média de 17,5%, a inflação poderia sofrer pressão adicional de aproximadamente 1,4 ponto percentual.
Entretanto, essa projeção depende de hipóteses econômicas e não representa uma previsão oficial do IBGE ou do Banco Central.
Gasolina no Brasil está até 20% mais barata que a média mundial, aponta análise
O economista também compara os preços brasileiros com os valores praticados internacionalmente.
Segundo dados da plataforma GlobalPetrolPrices citados na reportagem, a gasolina brasileira custa aproximadamente 20% menos que a média mundial.
No caso do diesel, a diferença chega a cerca de 15%.
Além disso, Bertoncello relaciona a adoção dos subsídios às tensões internacionais provocadas pela guerra no Golfo Pérsico.
O conflito pressiona o mercado de petróleo e influencia os custos de produção e distribuição dos combustíveis. Consequentemente, diversos governos adotam medidas temporárias para proteger consumidores e empresas.
Guerra no Golfo Pérsico aumenta preocupação com o petróleo
As tensões no Oriente Médio representam um fator adicional de risco para os preços dos combustíveis.
O petróleo possui grande importância na formação dos preços internacionais da gasolina e do diesel. Portanto, mudanças expressivas nas cotações podem afetar o mercado brasileiro.
Entretanto, a comparação entre países precisa considerar diferenças tributárias, custos logísticos, renda e políticas energéticas.
Mesmo assim, o economista considera que os preços brasileiros refletem parcialmente os benefícios temporários concedidos pelo governo federal.
Benefícios sobre gasolina e etanol terminam em 9 de novembro, após o segundo turno
O ponto mais importante da análise envolve o calendário das medidas adotadas pelo governo Lula.
Segundo a Revista Oeste, as desonerações atuais da gasolina e do etanol possuem encerramento previsto para 9 de novembro de 2026.
A data ocorre apenas 15 dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
Além disso, a proximidade entre o calendário eleitoral e o fim dos benefícios levanta questionamentos sobre os efeitos econômicos das decisões governamentais.
Bertoncello critica a possibilidade de os consumidores enfrentarem preços maiores logo depois da votação. Entretanto, ele reconhece que não é possível afirmar antecipadamente se haverá reajuste imediato ou qual será sua intensidade.
Preço da gasolina vai aumentar depois das eleições?
Ainda não existe confirmação de que a gasolina sofrerá um reajuste específico imediatamente depois das eleições.
O encerramento das desonerações pode aumentar a pressão sobre os preços. Entretanto, fatores como câmbio, petróleo e decisões comerciais também influenciam os valores cobrados nos postos.
Portanto, os percentuais apresentados na análise não devem ser interpretados como aumentos já anunciados.
Para o motorista, acompanhar os preços locais e avaliar o momento de abastecer pode ajudar no planejamento financeiro. Não há, porém, garantia de economia simplesmente por abastecer antes de 26 de outubro.
Governo Lula deixa risco de aumento dos combustíveis para depois das eleições
Na avaliação de Alexandre Bertoncello, a atual política de combustíveis representa um problema fiscal que poderá atingir a próxima administração federal.
O economista questiona se o governo que assumirá em janeiro de 2027 terá condições de administrar os efeitos do encerramento dos benefícios.
Além disso, alerta que parte das despesas relacionadas às medidas não constava da programação orçamentária original.
A combinação entre inflação elevada, gastos públicos e possíveis reajustes dos combustíveis cria desafios para a economia brasileira.
Eleições 2026 colocam política de combustíveis no centro do debate econômico
O preço da gasolina, do diesel e do etanol influencia diretamente a vida dos brasileiros. Por isso, decisões sobre impostos, subsídios e gastos públicos merecem atenção durante a campanha presidencial.
O governo Lula enfrenta críticas sobre a sustentabilidade das medidas temporárias. Entretanto, a avaliação de seus resultados também precisa considerar o alívio financeiro proporcionado aos consumidores.
A questão principal é saber como o país financiará esses benefícios e quais serão as consequências de seu encerramento.
Em conclusão, o alerta publicado pela Revista Oeste chama atenção para um risco econômico concreto: o fim das desonerações em novembro pode pressionar os combustíveis, a inflação e o orçamento das famílias brasileiras.