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Livro de ex-carcereiro revela supostos xingamentos de Lula contra ministros do STF durante prisão em Curitiba

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Um novo livro sobre a prisão de Lula revela relatos de bastidores envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o policial federal Jorge Chastalo Filho, o petista teria dirigido xingamentos e críticas a magistrados enquanto cumpria pena em Curitiba, entre 2018 e 2019.

As revelações aparecem na obra Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula. O livro reúne anotações do agente responsável por acompanhar a rotina do então ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal.

Entre os principais alvos das supostas ofensas estavam Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux. Entretanto, o relato também menciona elogios de Lula a Gilmar Mendes e Celso de Mello.

As informações ganharam repercussão após a publicação de reportagens sobre o conteúdo da obra, incluindo uma divulgação do jornalista Claudio Dantas. Portal Norte Diário+1

Prisão de Lula: livro relata ataques contra Cármen Lúcia e Edson Fachin

Durante os 580 dias em que permaneceu preso, Lula enfrentou decisões judiciais contrárias aos pedidos apresentados por seus advogados.

Segundo Chastalo, essas derrotas provocavam irritação no petista, que demonstrava ressentimento contra integrantes do Supremo.

Uma das principais destinatárias das críticas teria sido a ministra Cármen Lúcia.

Lula teria chamado a magistrada de “falsa humilde” e “miserável”. Além disso, teria manifestado profunda decepção com a postura da ministra depois de sua indicação ao STF, em 2006.

De acordo com o relato, Lula recordava conversas anteriores à nomeação. Na ocasião, Cármen Lúcia teria mencionado sua origem humilde e os ensinamentos de seu pai sobre gratidão.

Entretanto, o petista passou a interpretar determinadas decisões da magistrada como uma demonstração de ingratidão.

O livro também atribui a Lula comentários ofensivos sobre a atuação de Cármen Lúcia. Segundo o policial, o então ex-presidente afirmou que havia dormido com grande ódio da ministra. Jornal O Sul+1

Edson Fachin também teria recebido insultos durante a prisão de Lula

O ministro Edson Fachin aparece entre os principais alvos da insatisfação do petista.

Segundo o livro, Lula reagiu com indignação quando Fachin retirou de pauta o julgamento de um habeas corpus apresentado pela defesa.

Na ocasião, o ex-presidente teria chamado o magistrado de “filho da puta”.

Além disso, Lula teria afirmado que nunca confiou em Fachin e, por isso, não o escolheu para integrar o Supremo durante seus próprios mandatos.

A indicação de Fachin ocorreu no governo Dilma Rousseff, após consulta ao antecessor.

O episódio chama atenção porque o ministro chegou ao STF por indicação de uma presidente do próprio Partido dos Trabalhadores.

Entretanto, o vínculo político relacionado à indicação não impediu que Fachin adotasse decisões contrárias aos interesses da defesa de Lula. Portal Norte Diário+1

Livro sobre prisão de Lula também revela críticas a Luiz Fux

Outro integrante do Supremo mencionado na obra é o ministro Luiz Fux.

Segundo Chastalo, Lula demonstrava desconfiança em relação ao magistrado, mesmo após contatos anteriores durante eventos no Palácio do Planalto.

O ex-presidente teria afirmado que nunca confiou em Fux.

Além disso, outros relatos divulgados sobre o livro atribuem ao petista expressões como “cachorro pidão” e “canalha” ao se referir ao ministro.

A irritação teria aumentado depois que Fux derrubou uma autorização para entrevistas de Lula durante sua permanência na prisão.

Naquele período, a defesa buscava garantir que o petista pudesse conceder entrevistas e obter decisões favoráveis à sua libertação.

No entanto, diversas iniciativas enfrentaram obstáculos judiciais. Folha de S.Paulo+1

Lula teria criticado ministros do STF considerados pouco corajosos

Os relatos não se limitam a críticas individuais contra Cármen Lúcia, Fachin e Fux.

Segundo o policial federal, Lula também demonstrava insatisfação com ministros que, em sua avaliação, evitavam decisões polêmicas.

Em uma dessas conversas, teria utilizado a expressão “boi do cu branco”.

Chastalo explica que a expressão fazia referência a um touro covarde. O petista teria empregado o termo para criticar magistrados que considerava pouco combativos.

Por outro lado, o livro aponta que Lula elogiava Gilmar Mendes e Celso de Mello.

Segundo os relatos, o então ex-presidente considerava esses dois magistrados mais corajosos diante de decisões controversas.

Consequentemente, as conversas descritas pelo carcereiro mostram como Lula avaliava de maneiras diferentes os integrantes da Suprema Corte. Portal Norte Diário+1

Prisão de Lula durou 580 dias e terminou após decisão do STF

Lula permaneceu preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba entre abril de 2018 e novembro de 2019.

Durante esse período, seus advogados apresentaram recursos e pedidos de liberdade, enquanto o ex-presidente acompanhava os desdobramentos dos processos judiciais.

Em novembro de 2019, o Supremo Tribunal Federal mudou seu entendimento sobre a execução da pena após condenação em segunda instância.

A decisão abriu caminho para a libertação de Lula, que deixou a prisão depois de 580 dias.

Entretanto, os episódios relatados no livro mostram que a relação do petista com determinados ministros era marcada por desconfiança e ressentimento, segundo a versão apresentada pelo policial federal.

Revelações sobre a prisão de Lula reacendem debate sobre a relação entre política e Judiciário

A publicação também chama atenção para a relação entre presidentes da República e ministros que chegam ao Supremo por indicação presidencial.

No Brasil, o presidente indica os integrantes do STF, mas o Senado precisa aprovar cada nome.

Após a posse, os magistrados devem exercer suas funções com independência, independentemente de quem os indicou.

Por outro lado, os relatos de Chastalo sugerem que Lula demonstrava expectativas pessoais em relação a alguns ministros e se decepcionava quando suas decisões contrariavam seus interesses.

Essa interpretação pode alimentar questionamentos políticos sobre a relação entre o Executivo e o Judiciário.

Entretanto, é importante destacar que os diálogos apresentados na obra constituem relatos do ex-carcereiro, e não transcrições oficiais de gravações.

A reportagem da Folha de S.Paulo informou que procurou as assessorias de Lula e do Supremo, mas não recebeu resposta até sua publicação. Folha de S.Paulo+1

Livro sobre Lula na prisão ganha repercussão e desperta interesse dos leitores

O livro Banho de Sol reúne registros que Jorge Chastalo Filho produziu enquanto acompanhava a custódia do ex-presidente.

O policial federal descreve conversas, episódios cotidianos e situações que presenciou na carceragem da PF em Curitiba.

Além disso, a obra apresenta detalhes sobre os banhos de sol, as visitas e a convivência entre o agente e Lula.

A publicação chegou às livrarias em novembro de 2026 pela editora WMF Martins Fontes.

Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a primeira remessa contou com 5 mil exemplares. A editora também encomendou uma nova tiragem de 15 mil unidades diante da procura. Folha de S.Paulo+1

Em conclusão, as revelações oferecem um novo olhar sobre os bastidores da prisão de Lula e suas relações com ministros do STF.

Os relatos também levantam uma questão relevante para o debate público: até que ponto presidentes esperam reconhecimento político de magistrados que ajudaram a indicar?

A resposta envolve um princípio fundamental da democracia: a independência do Poder Judiciário diante dos interesses de qualquer governo.

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