AMÉRICA LATINA
Venezuela expurga aliados de Maduro e acelera faxina no governo
A queda do regime de Maduro abriu uma nova fase na Venezuela, e ela vem sendo conduzida com uma mistura de pragmatismo, medo e acerto de contas. A presidente interina Delcy Rodríguez já substituiu 17 ministros, comandantes militares e diplomatas ligados ao antigo círculo de poder. Além disso, a ofensiva atingiu empresários bilionários, parentes de Nicolás Maduro e nomes antes tratados como intocáveis dentro do chavismo.
Segundo a reportagem, essa reviravolta começou depois da captura de Maduro e de sua mulher, Cilia Flores, em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação das Forças Especiais dos Estados Unidos. O governo americano teria avisado que poderia voltar a atacar a Venezuela caso a nova cúpula se recusasse a cooperar. Portanto, a reorganização do poder em Caracas não nasceu de um gesto espontâneo, mas de uma pressão externa pesada e direta.
Regime de Maduro perde blindagem dentro do governo
Delcy Rodríguez passou a usar esse novo cenário para remover figuras centrais do antigo sistema. A reportagem afirma que detenções e expurgos ocorreram com aval da Casa Branca em vários casos e, em outros, por insistência direta do governo dos EUA. No entanto, o mesmo efeito político interno se impôs: o novo comando começou a desmontar, peça por peça, o velho regime de Maduro por dentro.
Oligarcas ligados à família de Maduro foram retirados de suas casas, aliados perderam cargos sem explicação pública e familiares do ex-líder foram barrados de negócios e de aparições na mídia. Pelo menos 3 empresários ligados ao antigo chefe do regime foram detidos. Além do mais, parte da família de Maduro foi afastada de contratos de petróleo, mostrando que o corte não ficou só na retórica.
Aliados do regime de Maduro caem um a um
Entre os atingidos está o general Vladimir Padrino López, por anos um dos homens mais fortes do chavismo. Ele perdeu o Ministério da Defesa em março e depois recebeu uma função menor na área agrícola. Consequentemente, a mensagem enviada ao restante da elite foi clara: ninguém teria lugar garantido na nova engrenagem do poder.
Também foram afastados Nicolás Maduro Guerra, filho de Maduro, e Yosser Gavidia Flores, filho de Cilia Flores, ambos retirados de negócios lucrativos com o Estado. O ex-procurador-geral Tarek William Saab também caiu, ganhou um cargo de consolação e depois foi dispensado novamente. Por outro lado, o movimento mais simbólico foi a queda de Alex Saab, empresário colombiano que fez fortuna com contratos preferenciais de alimentos e petróleo e que depois acabou detido, com possível extradição aos Estados Unidos em negociação.
Pessoas próximas a Delcy ainda disseram ao New York Times, segundo o Poder360, que ela supervisionou a detenção de outros dois empresários influentes: Raúl Gorrín e Wilmer Ruperti. Gorrín já enfrenta acusação de corrupção nos EUA. Entretanto, mais do que uma troca administrativa, o que se vê é uma limpeza seletiva contra os beneficiários mais próximos do antigo arranjo chavista.
Washington influencia a nova fase da Venezuela
Horas depois da captura de Maduro, Delcy assumiu interinamente e, em seu primeiro discurso, criticou a agressão americana. Uma semana depois, porém, liderou homenagens a militares cubanos e venezuelanos mortos na ação dos EUA. Esse contraste expôs uma contradição útil para a nova chefe do governo: no discurso, enfrentamento; na prática, coordenação e sobrevivência política.
A reportagem diz que Rodríguez abriu espaço para investidores americanos nos setores de petróleo e mineração. Além disso, a aliança com Donald Trump e novas leis amplas estaria redesenhando a gestão das reservas petrolíferas venezuelanas. Por exemplo, até a facilidade com que Maduro foi retirado de uma base militar fortemente protegida alimentou suspeitas de traição dentro do próprio sistema.
Segundo o texto, o governo Trump já considerava Delcy como sucessora de Maduro desde 2025 e mantinha contato indireto com ela. Não há evidência de que ela conhecesse previamente os planos militares dos EUA. No entanto, essa falta de prova não diminuiu a desconfiança dentro do partido governante nem entre antigos aliados do chavismo.
O que sobra do chavismo sem Maduro
Para se sustentar, Delcy buscou apoio em nomes das forças de segurança dispostos a jurar lealdade em troca de proteção contra possíveis retaliações por abusos de direitos humanos. Novas oportunidades também atraíram alguns antigos opositores. Portanto, o regime de Maduro vai sendo substituído não por uma ruptura moral, mas por uma rearrumação de interesses.
Um exemplo citado é Oliver Blanco, novo enviado da Venezuela para a América do Norte e para a Europa, que já trabalhou como assistente pessoal de um líder opositor. Ao mesmo tempo, elites econômicas tradicionais que antes apoiavam a oposição e depois fizeram as pazes com o chavismo seguem encontrando espaço nesse novo desenho. Em contraste com o discurso ideológico de décadas, o que agora vale é a utilidade de cada ator para manter estabilidade e acesso a mercados.
Só um ministro sênior do governo Maduro permaneceu no cargo: Diosdado Cabello, chefe do Interior e homem forte do aparato repressivo. Procurado pelos Estados Unidos por acusações ligadas ao tráfico de drogas, Cabello já teve atritos com Delcy, mas decidiu apoiá-la publicamente. Além do mais, sua adaptação preservou familiares em postos estratégicos, como a polícia secreta, o fisco e o Ministério do Turismo.
No fim, a grande verdade é simples. A Venezuela não parece estar assistindo ao nascimento de uma ordem realmente livre, mas a uma troca de comando dentro do mesmo ambiente autoritário. Em conclusão, os aliados de Maduro estão sendo expurgados aos poucos, enquanto Delcy consolida poder, Washington amplia influência e o chavismo tenta sobreviver mudando de rosto, sem necessariamente mudar de essência.