Política
André do Prado diz que Alcolumbre “não tem mais condições” de presidir o Senado
O candidato ao Senado por São Paulo André do Prado (PL) elevou o tom contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e afirmou que o parlamentar “não tem mais condições” de comandar a Casa. A declaração ocorre em meio à crise política envolvendo o Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal (STF) e as revelações relacionadas ao Banco Master.
Presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Prado concorre a uma das duas vagas paulistas no Senado nas eleições de 2026. O parlamentar tem defendido que a Casa exerça suas prerrogativas constitucionais diante dos questionamentos envolvendo integrantes do Judiciário.
Além disso, Prado já vinha criticando publicamente Alcolumbre pela condução dos pedidos contra ministros do Supremo. No início de setembro, classificou o presidente do Senado como “omisso” e afirmou que sua postura representava um “acovardamento”.
Senado Federal entra no centro das críticas de André do Prado
Em entrevista ao jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, André do Prado voltou suas críticas diretamente para a presidência do Senado Federal. Para o candidato do PL, Alcolumbre perdeu as condições políticas de continuar à frente da Casa.
A posição está ligada principalmente ao debate sobre a atuação do Senado diante da crise envolvendo o STF. Prado vem defendendo publicamente a abertura de processos de impeachment quando entende que existem elementos suficientes para a análise dos senadores.
Além disso, o candidato paulista afirma que pretende atuar nessa pauta caso conquiste uma cadeira no Senado. Ele declarou anteriormente que estará ao lado de senadores de direita para votar pedidos de impeachment de ministros do Supremo, quando considerar necessário.
André do Prado cobra atuação do Senado Federal sobre o STF
O Senado Federal ganhou ainda mais importância no debate eleitoral porque cabe à Casa processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade. A presidência do Senado exerce papel decisivo no encaminhamento político e regimental desses pedidos.
Prado defende o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e sustenta que as revelações envolvendo o Banco Master precisam de investigação. O candidato afirmou recentemente que Moraes não teria mais condições de permanecer no cargo enquanto os fatos fossem apurados.
Por outro lado, candidatos de diferentes campos políticos apresentam respostas distintas para a crise. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), por exemplo, cobraram esclarecimentos e transparência, mas adotaram posições diferentes das defendidas pelos candidatos de direita sobre o afastamento de ministros.
Banco Master também aparece no debate sobre o Senado Federal
A crise envolvendo o Banco Master passou a ocupar espaço importante na campanha paulista para o Senado Federal. As revelações sobre relações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades provocaram cobranças de candidatos de diferentes correntes políticas.
André do Prado citou informações obtidas a partir do celular de Vorcaro ao defender investigações. Segundo ele, os elementos divulgados levantam questionamentos sobre relações que considera incompatíveis com padrões republicanos.
Além disso, Prado mencionou contatos atribuídos ao ex-banqueiro com outras autoridades, entre elas o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As referências a esses contatos, por si sós, não demonstram irregularidade das autoridades citadas.
Senado Federal e Alcolumbre viram pauta da eleição de 2026
A atuação de Davi Alcolumbre tornou-se assunto recorrente entre candidatos de direita ao Senado Federal. André do Prado, Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo) já cobraram ações da presidência da Casa diante das controvérsias envolvendo o Supremo.
Entretanto, os três também disputam parte do mesmo eleitorado em São Paulo e divergem entre si. Durante o debate promovido por Folha e UOL, Prado e Salles protagonizaram um longo confronto justamente sobre relações políticas, STF e a postura de cada candidato diante do bolsonarismo.
Salles acusou Prado e o PL de manterem alianças contraditórias, incluindo uma aproximação política com Alcolumbre. Prado, por sua vez, respondeu acusando Salles de falta de firmeza diante de Alexandre de Moraes e de afastamento político de Jair Bolsonaro.
André do Prado disputa uma das vagas de São Paulo
André do Prado preside a Alesp e disputa uma das duas vagas paulistas em renovação no Senado Federal. A corrida reúne nomes como Guilherme Derrite, Marina Silva, Simone Tebet e Ricardo Salles.
A disputa permanece apertada. Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 22 de setembro mostrou Tebet com 29,6%, Derrite com 29,3%, Marina com 28,3% e Prado com 25%, todos tecnicamente empatados considerando a margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
Além do mais, o resultado ajuda a explicar por que temas ligados ao STF, Banco Master e à própria atuação do Senado ganharam espaço central na campanha paulista. Os candidatos buscam apresentar aos eleitores como pretendem exercer as prerrogativas da Casa a partir de 2027.
Críticas a Alcolumbre aumentam pressão sobre o Senado Federal
As declarações de André do Prado colocam novamente Davi Alcolumbre no centro do debate sobre o Senado Federal. Para Prado, a presidência da Casa precisa assumir uma postura mais ativa diante dos questionamentos dirigidos ao Supremo.
Alcolumbre, por outro lado, tornou-se alvo de críticas recorrentes de integrantes da direita por não avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF. Flávio Bolsonaro também o acusou recentemente de impedir o avanço desses processos e afirmou que dezenas de pedidos contra Moraes permanecem sem análise.
Portanto, a declaração de André do Prado reforça um dos temas que marcam sua campanha ao Senado: a promessa de pressionar por uma atuação mais firme da Casa em relação ao Judiciário. A decisão sobre qualquer processo de impeachment, entretanto, depende dos procedimentos constitucionais e regimentais do Senado e da atuação dos próprios senadores.