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Cientistas descobrem “interruptor” no cérebro capaz de desligar a dor crônica

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Um novo estudo sobre tratamento da dor crônica identificou um mecanismo no cérebro capaz de reduzir temporariamente a percepção da dor persistente. Cientistas encontraram um grupo de neurônios que funciona como uma espécie de “interruptor” natural. A descoberta pode abrir novos caminhos para terapias contra uma das condições mais incapacitantes do mundo.

A equipe internacional, liderada por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, concentrou a investigação em uma região do tronco cerebral. Além disso, os cientistas observaram como fome e medo conseguem interferir diretamente na percepção da dor. Os resultados apareceram em um estudo publicado na revista científica Nature.

Tratamento da dor crônica pode ganhar novo caminho

A descoberta pode representar um avanço importante nas pesquisas sobre tratamento da dor crônica. Essa condição mantém a pessoa sentindo dor além do período normal necessário para a cicatrização dos tecidos. Estimativas citadas pelos pesquisadores indicam que ela afeta cerca de 10% da população, podendo chegar a 25%, conforme os critérios utilizados.

A dor aguda normalmente aparece depois de uma lesão ou doença e funciona como um alerta do organismo. No entanto, a dor crônica permanece por mais de três meses e pode continuar mesmo depois da cura da causa original. Em algumas situações, os médicos sequer encontram uma causa clara para o sofrimento persistente.

Além disso, a condição pode prejudicar sono, emoções, capacidade cognitiva, motivação e relações sociais. Por isso, especialistas tratam o problema como uma patologia em si. A ciência, entretanto, ainda tenta compreender completamente as redes cerebrais envolvidas nesses estados prolongados de dor.

Cientistas identificam neurônios ligados ao tratamento da dor crônica

Os pesquisadores concentraram a investigação no núcleo parabraquial lateral, conhecido pela sigla lPBN. Nessa região, eles identificaram neurônios Y1R que funcionam como uma espécie de central reguladora da dor persistente. A descoberta sobre o tratamento da dor crônica ajuda a explicar como o cérebro mantém a sensação dolorosa.

Embora apresentem diferenças de formato, localização e conexões, esses neurônios compartilham uma característica importante. Eles expressam o receptor Y1, que se conecta ao neuropeptídeo Y, conhecido como NPY. Além do mais, essa molécula participa de funções relacionadas ao apetite, estresse e modulação da dor.

Dor crônica mantém neurônios trabalhando continuamente

Para compreender esse mecanismo e buscar alternativas de tratamento da dor crônica, os pesquisadores acompanharam a atividade cerebral em modelos pré-clínicos com ratos. Eles usaram uma técnica que identifica mudanças nos níveis de cálcio dentro dos neurônios. Dessa maneira, a equipe conseguiu acompanhar em tempo real quando as células nervosas disparavam impulsos elétricos.

Os pesquisadores provocaram dor aguda com estímulos rápidos, incluindo calor na pata e injeção de formalina. Também criaram modelos de dor persistente por meio de inflamação e secção parcial do nervo ciático. Consequentemente, eles puderam comparar o comportamento cerebral diante de diferentes tipos de estímulos dolorosos.

Neurônios Y1R podem explicar a persistência da dor crônica

Na dor aguda, os neurônios Y1R disparavam somente enquanto o estímulo doloroso permanecia presente. Na dor crônica, por outro lado, essas células continuavam ativas mesmo depois do desaparecimento da lesão inicial. Esse comportamento pode ajudar os cientistas a desenvolver um futuro tratamento da dor crônica direcionado ao próprio cérebro.

A neurociência chama esse disparo contínuo de “atividade tônica”. Nesse estado, os neurônios permanecem ativos por horas ou dias e sustentam a sensação prolongada de dor. Portanto, o problema pode envolver não apenas os nervos da região originalmente lesionada, mas também circuitos cerebrais que permanecem ativados.

Tratamento da dor crônica pode explorar “atalho” cerebral

A segunda descoberta importante envolve um mecanismo natural que pode inspirar novos tratamentos da dor crônica. Os pesquisadores perceberam que fome e medo conseguem reduzir a atividade dos neurônios relacionados à dor persistente. O cérebro parece fazer isso para priorizar necessidades imediatas de sobrevivência.

Quando uma pessoa enfrenta fome intensa ou perigo iminente, outras regiões cerebrais liberam o neuropeptídeo Y. Essa molécula inibe os neurônios Y1R e, consequentemente, reduz a transmissão dos sinais associados à dor. O organismo consegue, assim, priorizar temporariamente comportamentos essenciais para sobreviver.

Em uma situação de fome extrema, por exemplo, o indivíduo precisa procurar alimento em vez de permanecer paralisado pela dor. Diante de um predador, o organismo precisa priorizar a fuga ou a luta. Portanto, esse “interruptor” representa uma estratégia evolutiva de sobrevivência identificada pelos pesquisadores.

Descoberta pode mudar o tratamento da dor crônica

J. Nicholas Betley, líder da pesquisa, destacou uma consequência importante da descoberta. Pacientes podem continuar sentindo dor mesmo quando não existe mais uma lesão evidente na região inicialmente afetada. O novo tratamento da dor crônica, portanto, poderia mirar os circuitos cerebrais responsáveis por manter essa sensação.

Segundo Betley, o problema pode estar menos nos nervos localizados no ponto da lesão e mais no próprio circuito cerebral. Se futuros estudos confirmarem formas seguras de controlar esses neurônios em humanos, os pesquisadores poderão explorar novas estratégias terapêuticas. Entretanto, o trabalho atual ainda envolve modelos pré-clínicos, e a descoberta não representa uma cura disponível para pacientes.

Exercícios e meditação também entram no radar dos cientistas

O avanço científico não aponta apenas para o desenvolvimento de novos medicamentos. A plasticidade do circuito Y1R indica que diferentes intervenções podem modificar a maneira como o cérebro processa a dor. Além disso, os pesquisadores enxergam possibilidades para ampliar o tratamento da dor crônica além das tradicionais abordagens farmacológicas.

Betley cita exercícios físicos, meditação e terapia cognitivo-comportamental entre as possibilidades que merecem atenção. Essas intervenções podem modular a codificação neural da dor de maneira semelhante, em alguns aspectos, aos efeitos observados com fome e medo. No entanto, isso não significa que pacientes devam abandonar tratamentos médicos já prescritos.

Tratamento da dor crônica não deverá depender apenas de remédios

A própria natureza do circuito cerebral indica que o futuro do tratamento da dor crônica poderá combinar diferentes estratégias. Medicamentos direcionados aos neurônios identificados representam uma possibilidade, mas não necessariamente a única. Terapias capazes de modificar a atividade cerebral também poderão ocupar espaço relevante nas próximas pesquisas.

A descoberta ajuda ainda a explicar por que a dor persistente pode continuar mesmo quando exames não mostram uma lesão ativa. Em contraste, a dor aguda geralmente acompanha um estímulo ou dano mais facilmente identificável. Compreender essa diferença pode levar a tratamentos mais específicos para cada mecanismo.

Em conclusão, os cientistas encontraram uma espécie de central cerebral capaz de manter ou reduzir temporariamente a dor persistente. O resultado abre uma frente promissora para novas pesquisas, embora ainda não exista um “interruptor” clínico que médicos possam simplesmente desligar nos pacientes. O próximo desafio será transformar o conhecimento obtido em laboratório em terapias seguras e eficazes para seres humanos.

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