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Banco Master pagou R$ 720 mil a empresa de irmão de chefe de gabinete do Banco Central
O Banco Master pagou R$ 720 mil, em 2025, à LR Consultoria, empresa de Leonardo Eyer Harris. Ele é irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete do diretor de regulação do sistema financeiro do Banco Central (BC), Gilneu Francisco Astolfi Vivan. Os pagamentos aparecem em documentos e mensagens obtidos no contexto das investigações sobre o banco.
A informação acrescenta mais um capítulo às apurações envolvendo o Master e suas relações com pessoas próximas ao sistema financeiro e a autoridades públicas. Além disso, mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro registram uma relação de pagamentos que incluía a LR Consultoria.
Banco Master pagou R$ 720 mil à LR Consultoria
Em 6 de agosto de 2025, o ex-assessor jurídico Luiz Rennó enviou a Vorcaro uma lista com cinco nomes e respectivos valores para repasse. Entre os registros estava a LR Consultoria, com uma parcela de R$ 120 mil.
A empresa pertence a Leonardo Eyer Harris e surgiu em março de 2024, com capital social de apenas R$ 1 mil. Entretanto, um documento da Receita Federal encaminhado à CPI do Crime Organizado informa que a LR recebeu, no total, R$ 720 mil do Banco Master durante 2025.
O vínculo familiar chamou atenção porque Ricardo Eyer Harris, irmão de Leonardo, trabalha no Banco Central. Ricardo ocupa a chefia de gabinete do diretor responsável pela regulação do sistema financeiro.
Consultoria afirma que contrato com Banco Master envolvia mineração
Leonardo Eyer Harris afirmou que o Banco Master contratou sua empresa durante seis meses, entre março e setembro de 2025. Segundo ele, o serviço envolvia consultoria no setor de mineração e não tinha relação com as funções exercidas pelo irmão no BC.
Além disso, Leonardo disse que já havia prestado serviços para outra companhia entre 2024 e 2025. Ele afirmou que sua experiência no setor mineral fundamentou sua contratação para realizar análises estratégicas e avaliar a viabilidade econômica de ativos.
Ricardo Eyer Harris, por outro lado, declarou que informou a alta administração do Banco Central sobre o contrato. Ele também negou participação em decisões do BC relacionadas ao Master.
Banco Master aparece em investigação envolvendo funcionários do BC
O caso ocorre enquanto outros dois funcionários do Banco Central aparecem nas investigações relacionadas ao Banco Master. O presidente da instituição, Gabriel Galípolo, afastou o ex-diretor de fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-chefe de supervisão bancária Belline Santana.
Segundo a reportagem, a Polícia Federal identificou mensagens nas quais os executivos teriam ajudado Vorcaro a evitar a fiscalização. A investigação também encontrou registros de pagamentos e despesas com viagens relacionadas a Belline e Paulo Sérgio.
Entretanto, essas apurações envolvendo outros funcionários são distintas da relação comercial entre o Master e a LR Consultoria. Até o material divulgado, Leonardo e Ricardo negam que o contrato tenha relação com as atribuições de Ricardo no Banco Central.
Venda do Banco Master ao BRB aparece no contexto das mensagens
As mensagens surgiram durante a tentativa de Daniel Vorcaro de conseguir autorização do Banco Central para vender o Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Naquele período, as autoridades também investigavam suspeitas relacionadas a possíveis fraudes.
O Banco Central vetou a operação com o BRB em 3 de setembro de 2025. Posteriormente, em 18 de novembro, o Master entrou em liquidação.
Portanto, a cronologia coloca parte das mensagens justamente no período em que o futuro do banco dependia de decisões regulatórias. Isso não demonstra, por si só, que o contrato da LR Consultoria tenha interferido nas decisões do Banco Central.
Lista do Banco Master também citava Mantega, Lewandowski e Loyola
Uma das mensagens extraídas do celular de Vorcaro apresentava pagamentos associados a diferentes nomes e empresas. A relação citava Lewandowski, Consult Inteligência, Guido Mantega por meio da Pollaris, LR Consultoria e Gustavo Loyola.
Os valores registrados eram de R$ 266.382,54 para Lewandowski, R$ 500 mil para Consult Inteligência e R$ 1 milhão para Guido Mantega, via Pollaris. Além disso, a mensagem registrava R$ 120 mil para LR Consultoria e R$ 250 mil para Gustavo Loyola.
Dois dias depois da referência à LR, Rennó informou a Vorcaro que, entre os pagamentos considerados “essenciais”, ainda faltava a Consult. Na sequência, enviou o contato do advogado Kevin Marques, filho do ministro do STF Kassio Nunes Marques.
Banco Master também fez pagamentos a outras consultorias
Kevin Marques negou ter trabalhado para o Banco Master ou recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. Sua assessoria afirmou, no entanto, que ele recebeu R$ 281 mil da Consult Inteligência Tributária pela prestação de serviços jurídicos.
O Master também realizou pagamentos à Lewandowski Advocacia, à Pollaris Consultoria e à Gustavo Loyola Consultoria, segundo a reportagem. Consequentemente, a documentação reúne diferentes contratos e pagamentos que agora aparecem no centro das apurações sobre as relações comerciais da instituição.
Luiz Rennó afirmou que não conhecia a LR Consultoria. Ele também disse que, na função de assessor jurídico para questões trabalhistas e societárias, não possuía poderes para realizar ou autorizar pagamentos. A defesa de Daniel Vorcaro não apresentou manifestação à reportagem.