Brasil
Banco Master: lobista diz a Vorcaro que tratou de interesses com ministros do STF
O caso Banco Master e STF ganhou um novo capítulo depois da divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em uma delas, o lobista Chiquinho Feitosa afirmou que teria conversado sobre assuntos de interesse do empresário durante um jantar com ministros do Supremo Tribunal Federal.
A mensagem menciona nominalmente Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. Feitosa disse a Vorcaro que estava jantando com os dois ministros e suas esposas em 28 de maio de 2024.
No entanto, Gilmar e Zanin negam as circunstâncias relatadas pelo lobista. O conteúdo das mensagens também não comprova que os ministros tenham atendido a pedidos do Banco Master ou cometido qualquer irregularidade.
Banco Master e STF aparecem em mensagem encontrada pela PF
A conversa encontrada pela Polícia Federal registra uma mensagem enviada por Feitosa a Vorcaro às 20h55 daquele dia. O lobista afirmou que estava em um jantar com Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e as esposas dos ministros.
Na mensagem, Feitosa declarou ter conversado sobre assuntos de interesse do grupo e repassado informações recebidas de uma pessoa identificada como Fernando. Ele também perguntou se Vorcaro estaria na região.
Vorcaro respondeu que estaria e indicou que os dois poderiam se encontrar no dia seguinte. Além disso, o material encontrado pela PF revela outras conversas envolvendo tentativas de aproximação entre o fundador do Banco Master e Gilmar Mendes.
Feitosa, contudo, afirmou ao Poder360 que não se recorda com precisão do jantar. Ele também negou ter discutido com ministros assuntos relacionados a Vorcaro.
Zanin nega relação com Daniel Vorcaro e Chiquinho Feitosa
Cristiano Zanin negou qualquer relação com Daniel Vorcaro e Chiquinho Feitosa. O ministro afirmou que nunca jantou com os dois, nunca os recebeu em audiência e nunca conversou com eles sobre qualquer assunto.
Feitosa é ex-cunhado de Gilmar Mendes e, segundo a reportagem, teria recebido R$ 1 milhão do fundador do Banco Master.
Por outro lado, o gabinete de Gilmar Mendes informou que o ministro não participou do jantar descrito pelo lobista. A assessoria também declarou que Gilmar não teve conhecimento de qualquer entendimento entre Feitosa e terceiros.
Questionado especificamente sobre um possível encontro em 28 de maio de 2024, contudo, o gabinete não confirmou nem negou a realização do jantar.
Banco Master e STF: mensagens mostram tentativa de aproximação
Outras mensagens do celular de Vorcaro mostram que Chiquinho Feitosa buscava aproximar o banqueiro de Gilmar Mendes. Em 19 de abril de 2024, por exemplo, Feitosa recomendou que Vorcaro estabelecesse uma relação direta com o ministro.
Segundo a mensagem, essa aproximação seria importante para o futuro. Além disso, dias antes, em 11 de abril, o lobista havia encaminhado a Vorcaro o contato da assessoria de Gilmar.
Vorcaro pretendia conversar durante 30 minutos sozinho com o ministro. Depois, queria outros 30 minutos acompanhado pelo então diretor jurídico do Banco Master e por Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União.
Entretanto, a assessoria informou que a agenda não comportava todo esse período. Vorcaro acabou tendo uma reunião de 15 minutos sozinho com Gilmar e outros 15 minutos acompanhado.
Gabinete de Gilmar diz que reunião teve caráter institucional
O gabinete de Gilmar Mendes sustenta que o encontro com Vorcaro teve caráter institucional. Também informou que, posteriormente, o ministro votou contra interesses do Banco Master em um processo envolvendo pagamento de precatórios.
As conversas encontradas pela PF fazem referência justamente à tentativa de interlocução com ministros do Supremo em meio às discussões envolvendo precatórios de titularidade do Banco Master.
Portanto, existe registro das mensagens e dos contatos descritos na investigação. Entretanto, o conteúdo divulgado não demonstra que Gilmar Mendes ou Cristiano Zanin tenham atendido solicitações de Vorcaro ou praticado irregularidades.
Essa distinção é importante porque parte do material registra afirmações feitas pelo próprio lobista a Vorcaro. As declarações dos ministros apresentam versões diferentes sobre os episódios.
Banco Master e STF voltam a aparecer em conversa sobre festa de Camilo Santana
Chiquinho Feitosa voltou a citar Gilmar Mendes em outra conversa com Daniel Vorcaro poucos dias depois. O episódio ocorreu em 1º de junho de 2024.
Naquela noite, Feitosa afirmou estar em Fortaleza durante o aniversário de Camilo Santana, então ministro da Educação. O lobista informou a Vorcaro que Gilmar Mendes também estava no local.
Além disso, Feitosa sugeriu uma ligação para que Vorcaro pudesse conversar com os dois. O banqueiro respondeu que estava em um voo e, consequentemente, não poderia falar naquele momento.
O gabinete de Camilo Santana também se manifestou sobre o episódio. Segundo a assessoria, nunca existiu contato ou relação pessoal ou profissional entre Santana e Daniel Vorcaro.
Quem é Chiquinho Feitosa
Chiquinho Feitosa já ocupou cargos políticos e atualmente atua como lobista em Brasília. Ele exerceu mandato de deputado federal entre 1999 e 2003.
Em 2014, Feitosa tornou-se suplente de senador na chapa de Tasso Jereissati, do PSDB do Ceará. Posteriormente, assumiu o mandato no Senado entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022.
Atualmente, Feitosa preside o Republicanos no Ceará. Além do mais, seu nome aparece nas mensagens analisadas pela Polícia Federal como interlocutor de Daniel Vorcaro em contatos relacionados a autoridades de Brasília.
Caso Banco Master amplia atenção sobre mensagens de Vorcaro
A divulgação das mensagens acrescenta novos elementos às investigações relacionadas ao antigo controlador do Banco Master. O material mostra interlocuções e tentativas de aproximação com integrantes do Supremo Tribunal Federal.
No entanto, as mensagens representam registros das afirmações e iniciativas dos próprios interlocutores e precisam ser analisadas juntamente com as respostas dos citados. Gilmar Mendes e Cristiano Zanin contestaram pontos centrais do relato de Feitosa.
Em conclusão, o material divulgado mostra que Feitosa disse a Vorcaro ter tratado de assuntos de interesse do empresário enquanto estaria com ministros do STF. Os ministros negam o relato nos termos apresentados, e as conversas divulgadas não comprovam favorecimento ou prática irregular por parte deles.