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Herança econômica de Lula será pior que a de Dilma e dívida pública ultrapassa R$ 11 trilhões, alerta economista
A herança econômica do governo Lula poderá ser ainda pior do que a deixada por Dilma Rousseff, segundo avaliação do economista Gabriel Leal de Barros. O especialista alerta para o crescimento da dívida pública, o aumento dos gastos do governo federal e o risco de recessão no Brasil em 2027.
Em entrevista à Revista Oeste, o economista-chefe da ARX Investimentos afirmou que o próximo presidente enfrentará grandes dificuldades para recuperar o equilíbrio das contas públicas. Além disso, ele criticou a condução da política fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Gabriel Leal de Barros também apontou problemas no arcabouço fiscal, na expansão dos programas sociais e no uso de fundos públicos. Para ele, o Brasil precisará de reformas profundas para controlar a dívida e recuperar a confiança dos investidores.
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Herança econômica de Lula pode superar crise deixada por Dilma Rousseff
O economista Gabriel Leal de Barros considera que o próximo governo encontrará uma situação fiscal mais complicada do que aquela registrada após a administração de Dilma Rousseff.
Segundo o especialista, o governo Lula acumulou problemas que dificultam a recuperação das contas públicas. Além disso, a combinação de dívida elevada, juros altos e aumento de despesas reduz a capacidade de reação da economia brasileira.
Barros afirmou que o desafio fiscal atual supera aquele enfrentado depois do governo Dilma. Ele também destacou que o déficit primário efetivo seria maior, segundo seus cálculos, quando considerados os efeitos de operações realizadas fora das regras fiscais tradicionais.
Dívida pública ultrapassa R$ 11 trilhões durante governo Lula
A dívida pública brasileira alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, segundo os números citados na entrevista.
O montante ultrapassou R$ 11 trilhões. Além disso, a relação entre dívida e PIB cresceu mais de 11 pontos percentuais durante o terceiro mandato de Lula.
Para Gabriel Leal de Barros, a trajetória continuará preocupante mesmo que o próximo governo adote medidas de ajuste fiscal.
O economista estima que a dívida poderá continuar crescendo até 2030. Portanto, a estabilização das contas públicas exigirá medidas estruturais e resultados consistentes durante vários anos.
Governo Lula cometeu erros sucessivos na política econômica, afirma especialista
Durante a entrevista, Gabriel Leal de Barros criticou a política macroeconômica adotada pelo governo Lula.
Segundo ele, o presidente ampliou estímulos fiscais e operações de crédito para manter a economia aquecida durante o período eleitoral. Entretanto, essas medidas teriam elevado os riscos para as contas públicas nos próximos anos.
O economista também questionou a utilização de fundos públicos para financiar despesas fora dos limites convencionais do arcabouço fiscal.
Entre os exemplos mencionados estão o Fundo Social do Pré-Sal e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Arcabouço fiscal do governo Lula perdeu credibilidade
Gabriel Leal de Barros considera que o arcabouço fiscal apresentou problemas desde sua criação, em 2023.
O especialista explicou que a regra estabelece limites para o crescimento das despesas públicas. No entanto, algumas obrigações do governo aumentam em ritmo superior ao permitido pelo limite geral.
Entre elas estão despesas relacionadas ao salário mínimo, à saúde e à educação.
Além disso, o economista afirmou que o governo retirou diversas despesas do alcance das regras fiscais, comprometendo a confiança dos investidores.
Segundo sua análise, a expansão efetiva dos gastos ultrapassou o crescimento máximo de 2,5% previsto no modelo em determinadas condições.
Para Barros, a perda de credibilidade das regras representa um dos principais obstáculos para a recuperação da economia brasileira.
Gastos públicos e programas sociais entram no centro das críticas
O economista também questionou a expansão dos programas sociais e a utilização de recursos públicos durante o período eleitoral.
Entre as medidas mencionadas, ele destacou o reajuste de 15% do Bolsa Família anunciado próximo às eleições presidenciais.
Segundo Barros, a ampliação das despesas contribuiu para estimular a economia no curto prazo. Entretanto, ele considera que essa estratégia pode comprometer o equilíbrio fiscal nos anos seguintes.
O especialista também criticou o que considera uso político de empresas estatais, incluindo a Petrobras.
Reforma administrativa poderia reduzir despesas bilionárias
Gabriel Leal de Barros defendeu uma reforma administrativa para reorganizar cargos, salários e benefícios no serviço público.
Segundo ele, algumas carreiras apresentam progressões salariais rápidas, aumentando a pressão sobre o orçamento federal.
O economista também citou pagamentos adicionais no Judiciário. Em sua estimativa, esses benefícios representam despesas anuais entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões.
Além disso, Barros sugeriu revisar a estrutura dos programas sociais para reduzir a sobreposição de benefícios.
Ele calcula que a reorganização dessas políticas poderia gerar economia anual entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.
Economista defende mudanças no BPC e nos benefícios sociais
Outra proposta apresentada por Gabriel Leal de Barros envolve o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Atualmente, o benefício garante um salário mínimo mensal a idosos de baixa renda com pelo menos 65 anos e a pessoas com deficiência que atendam aos critérios legais.
O economista defende uma revisão da vinculação do benefício ao salário mínimo.
Segundo ele, o modelo atual aumenta automaticamente determinadas despesas quando o governo reajusta o piso nacional.
Especialista aponta sobreposição de benefícios
Barros também argumentou que a existência de programas sociais com finalidades semelhantes pode elevar os custos administrativos.
Ele defende uma integração maior dessas políticas para evitar pagamentos sobrepostos e melhorar a eficiência dos recursos públicos.
Entretanto, mudanças no BPC exigiriam alterações legislativas e análise dos impactos sociais.
A proposta do economista representa uma posição sobre política fiscal, e não uma medida já aprovada pelo governo ou pelo Congresso Nacional.
Herança econômica de Lula poderá exigir ajuste de 4% do PIB
Um dos pontos mais relevantes da entrevista envolve o tamanho do ajuste fiscal necessário para estabilizar a dívida pública.
Gabriel Leal de Barros estima que o próximo governo precisará promover uma correção equivalente a aproximadamente quatro pontos percentuais do PIB.
Segundo ele, a medida exigirá uma combinação de reformas, revisão de despesas e reorganização das contas públicas.
Além disso, o economista considera fundamental que a equipe de transição tenha acesso aos dados completos dos fundos e das operações financeiras utilizadas pelo atual governo.
Equipe de transição terá desafio para identificar situação das contas
Barros afirmou que o mercado financeiro ainda não conhece completamente a dimensão das obrigações fiscais que o próximo governo poderá enfrentar.
Segundo ele, determinadas operações realizadas por meio de fundos e mecanismos de crédito dificultam a avaliação integral das contas públicas.
Consequentemente, a equipe de transição precisará identificar saldos, compromissos e despesas futuras.
O economista acredita que um diagnóstico detalhado será essencial para estabelecer um plano fiscal capaz de recuperar a confiança dos investidores.
Governo Lula poderá deixar risco de recessão econômica em 2027
Gabriel Leal de Barros também apresentou projeções preocupantes para a economia brasileira em 2027.
Segundo o economista, o país poderá enfrentar uma recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda do PIB.
A projeção da ARX Investimentos considera crescimento anual de aproximadamente 1% para 2027, com possibilidade de revisão para baixo.
Entretanto, o especialista explicou que o resultado positivo no acumulado do ano não impediria a ocorrência de dois trimestres consecutivos de contração econômica.
Desemprego poderá aumentar com desaceleração da economia
O economista avalia que a redução dos estímulos fiscais e das operações de crédito poderá provocar desaceleração da atividade econômica.
Além disso, medidas de ajuste fiscal podem reduzir temporariamente o consumo e os investimentos.
Segundo Barros, esse processo poderá aumentar o desemprego no curto prazo.
No entanto, ele considera que a reorganização das contas públicas será necessária para criar condições de crescimento econômico mais sustentável.
As projeções representam um cenário elaborado pelo especialista e não uma confirmação de que o Brasil enfrentará recessão em 2027.
Flávio Bolsonaro e Lula enfrentam debate sobre futuro da economia brasileira
A situação das contas públicas ganhou destaque na reta final das eleições presidenciais de 2026.
Gabriel Leal de Barros comentou o desempenho positivo da Bolsa de Valores depois do primeiro turno e relacionou parte do movimento ao resultado eleitoral favorável à direita no Congresso.
Segundo ele, a votação expressiva de candidatos desse campo político contribuiu para melhorar as expectativas de parte dos investidores.
O economista também afirmou que o desempenho do Ibovespa teria sido diferente caso o resultado eleitoral apresentasse outra composição política.
Economista vê dificuldades para reformas em eventual novo governo Lula
Gabriel Leal de Barros demonstrou ceticismo sobre a possibilidade de uma agenda profunda de reformas fiscais avançar em um eventual quarto mandato de Lula.
Segundo ele, o presidente precisaria rever políticas implementadas pelo próprio governo.
O especialista comparou essa dificuldade ao início do segundo mandato de Dilma Rousseff, quando Joaquim Levy assumiu o Ministério da Fazenda com a missão de reorganizar as contas públicas.
Por outro lado, integrantes da equipe econômica de Lula defendem que o governo poderá avançar na revisão das despesas. Em setembro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que um eventual novo mandato deveria iniciar rapidamente esse trabalho.
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Futuro da economia brasileira dependerá de reformas e controle da dívida pública
A entrevista de Gabriel Leal de Barros apresenta uma avaliação crítica sobre a trajetória fiscal do governo Lula.
O economista considera que o próximo presidente precisará enfrentar problemas estruturais envolvendo dívida pública, despesas obrigatórias e eficiência dos programas sociais.
Além disso, ele defende reformas administrativas e maior transparência na utilização dos recursos públicos.
O governo Lula, por sua vez, sustenta que suas políticas contribuíram para recuperar investimentos e ampliar a proteção social, enquanto defende a manutenção de regras de responsabilidade fiscal.
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Em conclusão, o debate sobre a herança econômica de Lula envolve diferentes avaliações sobre os resultados do atual governo e os ajustes necessários a partir de 2027.