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Jorge Messias no STF: indicado de Lula chega à sabatina com placar indefinido no Senado

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A indicação de Jorge Messias no STF chega nesta quarta-feira ao teste mais duro no Senado. O advogado-geral da União, escolhido por Lula para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, enfrenta sabatina na Comissão de Constituição e Justiça com um cenário ainda incerto.

Embora aliados do governo falem em aprovação, o placar ainda não oferece conforto ao Planalto. Além disso, a votação virou uma espécie de termômetro da força de Lula dentro do Senado.

Jorge Messias no STF vira teste político para Lula

Jorge Messias tenta ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo. Para isso, precisa vencer duas etapas no Senado: primeiro na CCJ e, depois, no plenário.

Na comissão, o indicado precisa de pelo menos 14 votos. No plenário, precisa alcançar 41 votos favoráveis entre os 81 senadores. Portanto, a conta não é simples para o governo.

Segundo levantamento citado por O Globo, Messias soma 25 votos favoráveis e enfrenta 22 contrários. Outros 34 senadores ainda concentram o poder de decisão, entre os que não responderam e os que preferem não se posicionar publicamente.

No entanto, aliados do governo dizem trabalhar com uma projeção entre 44 e 49 votos. A aposta deles está no voto secreto, que pode reduzir o custo político de apoiar o nome de Lula.

Placar indefinido aumenta pressão sobre o Planalto

A semana curta, por causa de feriados, também pesa no cálculo. Brasília ficou mais esvaziada, e ausências podem virar problema em uma votação apertada.

Além disso, o histórico recente acendeu um sinal amarelo. Na indicação de Flávio Dino, aliados esperavam cerca de 54 votos, mas o placar final ficou em 47.

Consequentemente, o governo sabe que promessa de voto nem sempre vira voto confirmado na urna. E, em disputa de Senado, silêncio muitas vezes fala mais do que discurso.

Ruído com Davi Alcolumbre incomoda o governo

A relação com Davi Alcolumbre, presidente do Senado, virou um dos pontos mais sensíveis da articulação. Ele não declarou apoio público a Messias e não orientou sua base em favor do indicado.

Por outro lado, Alcolumbre garante a condução institucional do processo. Mas, para o Planalto, isso não equivale a uma operação política em favor do nome de Lula.

Nos bastidores, a tensão aumentou após o vazamento de um encontro reservado entre Messias e Alcolumbre. A reunião contou com a presença de Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Rodrigo Pacheco, segundo relatos publicados.

Jorge Messias no STF enfrenta resistência e tenta acenos

Na reta final, Messias intensificou conversas com senadores. Ele telefonou, enviou mensagens e ajustou o discurso para reduzir resistências.

Além do mais, o indicado tenta vender uma imagem institucional. A ideia é convencer parlamentares de que adotaria uma postura menos intervencionista no Supremo.

Em temas sensíveis, como aborto, Messias sinaliza que defenderá as hipóteses já previstas em lei e deixará mudanças para o Congresso. Esse ponto mira diretamente senadores conservadores e religiosos.

Messias também almoçou com a bancada do PSB, incluindo Rodrigo Pacheco, que era o nome preferido de Alcolumbre para a vaga. Portanto, o gesto teve peso político claro na véspera da sabatina.

Trocas na CCJ favorecem o governo

O governo também mexeu no tabuleiro da Comissão de Constituição e Justiça. Ana Paula Lobato entrou no lugar de Cid Gomes, que não havia declarado voto.

Renan Filho ocupou a vaga de Sergio Moro, crítico da indicação. Em contraste, a oposição também reagiu e colocou Plínio Valério no lugar de Oriovisto Guimarães.

Mesmo assim, governistas acreditam ter cerca de 16 votos na CCJ. Esse número passa o mínimo necessário, mas não elimina o risco de desgaste durante a sabatina.

Sabatina deve discutir Supremo, aborto e Banco Master

A expectativa é que a sabatina dure entre dez e 12 horas. Senadores devem questionar Messias sobre trajetória, visão jurídica e temas políticos que rondam o Supremo.

Entre os assuntos esperados estão aborto, autonomia do Legislativo, atuação recente do STF e a crise do Banco Master. Portanto, o indicado precisará medir cada palavra.

Para a direita, o ponto central vai além do currículo. A questão é saber se o Senado vai apenas carimbar mais uma indicação de Lula ou se vai exercer, de fato, seu papel de freio institucional.

Votação pode indicar força de Lula no Senado

A aprovação ainda parece provável para aliados do governo. Entretanto, o tamanho do placar pode dizer muito mais do que o resultado.

Se Messias passar com margem apertada, Lula terá um alerta para as próximas pautas. A PEC da Segurança Pública, o Redata e disputas envolvendo o Banco Central dependem de articulação no Congresso.

Em conclusão, a sabatina de Jorge Messias não representa apenas a escolha de um ministro do STF. Ela mostra até onde vai a força real do Planalto no Senado — e até onde os senadores estão dispostos a bancar mais uma indicação de Lula para a Corte.

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