CORRUPÇÃO
Toffoli e J&F: contratada por R$ 11,5 milhões repassou valor a comprador de cotas em resort
Toffoli e J&F voltaram ao centro de uma nova controvérsia após reportagem do Diário do Poder apontar movimentações milionárias envolvendo a JBS, a holding J&F, uma advogada de Goiânia e Paulo Humberto Barbosa, dono da PHB Holding, empresa que comprou cotas ligadas à família do ministro Dias Toffoli no Resort Tayayá.
Segundo a reportagem, um documento do Coaf apontou que a advogada Maisa de Maio Lima Marciano, que teria faturamento mensal de R$ 9 mil em sala compartilhada, recebeu R$ 11,5 milhões da JBS e da J&F em dezembro de 2023. Portanto, o caso acendeu mais um alerta sobre as relações entre grandes empresas, escritórios jurídicos e personagens próximos ao Supremo Tribunal Federal.
Toffoli e J&F entram em nova polêmica sobre repasses milionários
De acordo com o Diário do Poder, a JBS transferiu R$ 8 milhões ao escritório da advogada em 15 de dezembro de 2023. No mesmo dia, segundo o Coaf, houve repasse de R$ 6,9 milhões ao BK Bank.
Além disso, três dias depois, a J&F pagou outros R$ 3,5 milhões ao mesmo escritório. A reportagem afirma que esse valor seguiu, no mesmo dia, para Paulo Humberto Barbosa, dono da PHB Holding.
O ponto mais sensível aparece justamente aí. A PHB Holding comprou, em 21 de fevereiro de 2025, as últimas cotas da empresa da qual Dias Toffoli é sócio no Resort Tayayá, no Paraná.
Advogada de Goiânia recebeu milhões da JBS e da J&F
A matéria destaca o contraste entre o perfil do escritório e o volume dos pagamentos. A advogada atuaria em uma sala compartilhada em Goiânia e, segundo o documento citado, tinha faturamento mensal de cerca de R$ 9 mil.
No entanto, em poucos dias, o escritório recebeu R$ 11,5 milhões de empresas ligadas aos irmãos Joesley e Wesley Batista. Para qualquer brasileiro comum, essa diferença chama atenção de imediato.
Além do mais, a sequência dos repasses aumentou a pressão sobre as explicações. O dinheiro entrou e, logo depois, saiu para dois destinos diferentes: o BK Bank e Paulo Humberto Barbosa.
Toffoli e J&F: ligação com resort aumenta pressão sobre o caso
Paulo Humberto Barbosa já advogou para a JBS, conforme relata o Diário do Poder. Depois, sua holding comprou cotas ligadas à Maridit Participações, empresa da família de Toffoli, no Resort Tayayá.
A reportagem também lembra que Toffoli confirmou o negócio entre a PHB e a Maridit. Essa confirmação ocorreu após investigação da Polícia Federal revelar pagamento de R$ 35 milhões por meio de fundos usados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Por outro lado, Toffoli já afirmou em outro momento que a negociação da Maridit ocorreu sem participação da J&F. Segundo a matéria, o ministro disse que o negócio aconteceu “exclusivamente com a PHB Holding” e que todas as movimentações financeiras estão declaradas às autoridades.
Suspensão de multa bilionária da J&F entra no radar
O calendário também chama atenção. Em dezembro de 2023, mês dos repasses milionários, Dias Toffoli suspendeu a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F com o Ministério Público Federal.
A defesa da companhia alegou irregularidades ligadas à Operação Spoofing. Essa operação apontou suposto conluio acusatório entre integrantes do Ministério Público Federal e a Justiça Federal em casos da Lava Jato.
Entretanto, para quem olha o caso de fora, a coincidência de datas exige transparência absoluta. Afinal, quando empresas bilionárias, decisões no STF e repasses milionários aparecem na mesma história, o mínimo esperado é explicação completa.
BK Bank, PCC e suspeitas em movimentações financeiras
Outro ponto pesado envolve o BK Bank. Segundo a reportagem, o banco foi apontado na Operação Carbono Oculto, em agosto de 2025, por suspeita de favorecer crimes do PCC por meio das chamadas “contas bolsão”.
Essas contas, segundo a apuração citada, misturariam dinheiro de vários clientes e dificultariam o rastreamento da origem dos recursos. Consequentemente, a investigação apontou movimentação suspeita de R$ 17,7 bilhões.
O caso envolveria exploração de jogos de azar, venda de combustíveis adulterados e fraudes na comercialização de combustível. Portanto, a presença do BK Bank no caminho do dinheiro aumenta a gravidade política e institucional da história.
Empresas negam irregularidades e falam em serviços jurídicos
A JBS e a J&F afirmaram que os pagamentos ao escritório de Maisa Marciano se referem a produtos ou serviços jurídicos prestados e comprovados. Além disso, as empresas disseram que os pagamentos tiveram nota fiscal e recolhimento de tributos.
A JBS também afirmou que não dispõe de informações sobre movimentações financeiras feitas pelo fornecedor para terceiros. A J&F, por sua vez, declarou que mantém auditorias independentes e defendeu a regularidade de seus processos internos.
Já o BK Bank negou integrar a relação comercial entre seus clientes e terceiros. O banco também afirmou que suas transações são identificadas, registradas e rastreáveis.
Caso Toffoli e J&F exige resposta clara das autoridades
Em conclusão, o caso Toffoli e J&F reúne elementos que não podem ser tratados como simples ruído político. Há uma advogada com faturamento modesto, pagamentos milionários, repasses imediatos, uma holding que comprou cotas ligadas à família de ministro do STF e um banco citado em investigação pesada.
Para a direita, o episódio reforça uma cobrança antiga: autoridades precisam dar explicações públicas quando decisões, dinheiro e relações privadas se cruzam no alto escalão do poder.
O Brasil já viu muitos escândalos nascerem de detalhes que, no começo, pareciam apenas “coincidências”. Portanto, o papel da imprensa e da sociedade é pressionar por transparência, documentos e respostas objetivas.
Se tudo ocorreu dentro da lei, que os envolvidos mostrem as provas com clareza. Entretanto, se houve algo além de serviços jurídicos comuns, o país precisa saber antes que mais uma história grave desapareça no silêncio confortável de Brasília.