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Galípolo volta ao Senado para explicar atuação do BC em meio a cobranças sobre crise bilionária
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, voltará ao Senado para falar sobre o Banco Master. A audiência está marcada para 5 de maio, na Comissão de Assuntos Econômicos, a CAE.
O encontro também vai tratar de política monetária. No entanto, o centro político da audiência deve ser outro: a atuação do BC na crise do Master.
Banco Master volta ao centro da pressão no Senado
A presença de Galípolo foi confirmada pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas. Segundo ele, “muitas perguntas continuam a ser feitas” sobre o papel do Banco Central na crise do banco.
Além disso, Renan afirmou que o Banco Central enviou 23 avisos de irregularidade ao Master. Mesmo assim, segundo o senador, nenhuma providência efetiva teria sido tomada ao longo dos anos, salvo a intervenção em dezembro de 2025.
Esse é o ponto que incomoda. Afinal, se havia tantos alertas, por que o BC não agiu antes?
Para o público comum, a pergunta é simples. O cidadão atrasa uma conta e sente o peso do sistema rapidamente. Por outro lado, um banco cercado de suspeitas pode operar por anos antes de uma medida dura.
Senado cobra documentos sobre o Banco Master
Renan Calheiros também disse que a CAE não recebeu documentos sobre o processo do Banco Master. Esses documentos, segundo ele, deveriam ter sido encaminhados por Galípolo à comissão.
Em fevereiro, a CAE instalou um grupo de trabalho para investigar fraudes bilionárias relacionadas ao Master. O grupo ficou sob a presidência do próprio Renan.
Portanto, a nova audiência não deve ser apenas protocolar. Ela tende a aumentar a cobrança política sobre o comando do Banco Central.
Além do mais, os senadores aprovaram requerimento para que o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, preste informações e apresente documentos sobre o caso. A solicitação inclui materiais sigilosos referentes ao processo de aquisição, pela Caixa Econômica Federal, de carteiras financeiras do BRB ligadas à tentativa de compra do Master.
Galípolo já falou sobre o caso na CPI
Galípolo já havia prestado esclarecimentos na CPI do Crime Organizado, em 8 de abril. Na ocasião, ele negou ter atuado pessoalmente no caso do Banco Master perante o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, segundo registro do Monitor Mercantil.
Ele também disse que não conversou com ministros do STF sobre o caso Master. Além disso, afirmou que os encontros com integrantes da Corte trataram da Lei Magnitsky, e não da situação do banco.
Esse detalhe chama atenção porque o caso ganhou forte peso político. Afinal, as investigações passaram a gerar questionamentos sobre bancos, autoridades, fundos públicos e decisões do próprio Banco Central.
Reunião no Planalto virou ponto sensível
Outro ponto delicado envolve uma reunião fora da agenda pública, em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. Galípolo esteve no encontro com Lula, Daniel Vorcaro e outras autoridades. Na época, ele não informou a reunião ao então presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Segundo Galípolo, Vorcaro e acionistas do Master alegavam que o banco sofria perseguição de agentes do mercado. No entanto, o presidente do BC disse que essa versão não parecia compatível com o tamanho da instituição.
Consequentemente, a audiência de 5 de maio tende a tocar em um ponto incômodo: quem sabia o quê, desde quando e por que a reação demorou?
Crise do Master também mira Campos Neto
Renan Calheiros ainda acusou Galípolo de ter feito “leniência” com Roberto Campos Neto. O senador citou acusações contra o ex-presidente do BC por supostas irregularidades quando ele atuava no Banco Santander.
Entretanto, Galípolo declarou na CPI que não havia indício de culpa de Campos Neto em auditorias ou sindicâncias sobre o caso Master. Essa fala desagradou petistas, que tentam ligar a crise à gestão anterior do Banco Central.
Em contraste, a cobrança no Senado mira a instituição como um todo. O problema não é apenas saber quem estava no comando. A questão principal é saber se a fiscalização funcionou.
Banco Master expõe falha de fiscalização ou tolerância demais?
O caso do Banco Master virou um teste para o Banco Central. Afinal, a autoridade monetária existe para proteger o sistema financeiro e evitar riscos maiores para investidores, correntistas e para o país.
No entanto, quando aparecem 23 avisos de irregularidade e a reação dura só vem depois, a desconfiança cresce. O brasileiro tem razão em perguntar se o sistema foi técnico, lento ou conivente.
Em conclusão, Galípolo voltará ao Senado em uma posição desconfortável. Ele terá de falar sobre juros, mas os senadores querem ouvir respostas sobre o Master.
E, desta vez, a cobrança não deve ficar apenas no economês. O caso pede explicação clara, documento na mesa e responsabilidade de quem tinha o dever de fiscalizar.