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Coreia do Norte prevê ataque nuclear automático se Kim Jong Un morrer ou perder comando
A Coreia do Norte mudou sua Constituição para prever um ataque nuclear automático caso Kim Jong Un morra ou fique incapacitado. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Telegraph, com base em relatório apresentado pelo serviço de inteligência da Coreia do Sul.
Segundo a nova regra aprovada pela Assembleia Popular Suprema norte-coreana, a resposta nuclear ocorrerá de forma automática se o sistema de comando das forças atômicas do regime sofrer ameaça. Portanto, Pyongyang transformou a sobrevivência política de Kim em gatilho militar de escala mundial.
Além disso, a mudança amplia a doutrina nuclear do regime comunista e endurece ainda mais o discurso contra Estados Unidos e Coreia do Sul. Em bom português: a ditadura norte-coreana quer deixar claro que qualquer tentativa de eliminar sua liderança pode provocar uma reação devastadora.
Coreia do Norte coloca ataque nuclear na Constituição
A Coreia do Norte aprovou a alteração constitucional em março, durante reunião da Assembleia Popular Suprema em Pyongyang. O texto estabelece que um ataque nuclear será lançado “automática e imediatamente” se forças hostis colocarem em risco o sistema de comando e controle nuclear do país.
No entanto, essa regra não parece apenas uma medida militar. Ela também funciona como recado político para Washington, Seul e qualquer adversário que cogite atacar a cúpula do regime.
Consequentemente, Kim Jong Un tenta criar uma blindagem em torno da própria figura. Afinal, em ditaduras personalistas, o líder não se apresenta apenas como chefe de Estado, mas como peça central de todo o sistema.
Morte de Kim Jong Un acionaria resposta automática
A nova cláusula prevê retaliação militar caso a liderança norte-coreana seja eliminada em um conflito. O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul informou autoridades do governo sobre a atualização constitucional nesta semana.
Além disso, a medida ganhou destaque em meio ao aumento das tensões internacionais. A reportagem cita o contexto da morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, em ofensiva israelense em Teerã com apoio dos Estados Unidos, segundo relatos divulgados pela imprensa internacional.
Por outro lado, Pyongyang parece ter lido esse episódio como alerta. Se líderes de regimes hostis podem virar alvo direto, a ditadura norte-coreana decidiu responder com uma ameaça nuclear escrita na própria Constituição.
Coreia do Norte endurece discurso contra EUA e Coreia do Sul
A Coreia do Norte também intensificou o tom contra Seul e Washington nos últimos meses. Kim Jong Un classificou a Coreia do Sul como o “Estado mais hostil” ao regime e prometeu ampliar a capacidade nuclear do país.
Além do mais, o ditador acusou os Estados Unidos de praticar “terrorismo de Estado e agressão”. Esse tipo de discurso combina propaganda interna, ameaça externa e tentativa de manter a população sob clima permanente de guerra.
Entretanto, a retórica não fica apenas no campo das palavras. Pyongyang avança em mísseis, armas nucleares, submarinos e alianças com adversários estratégicos do Ocidente.
Pyongyang abandona discurso de reunificação
A revisão constitucional faz parte de uma estratégia mais ampla de redefinição política conduzida por Pyongyang. Em mudanças anteriores, o regime passou a reconhecer formalmente as duas Coreias como Estados separados e retirou referências à reunificação da península.
A Reuters já havia informado que a Coreia do Norte incluiu pela primeira vez uma cláusula territorial na Constituição. O texto define fronteiras em relação ao território sul-coreano.
Portanto, o regime não fala mais como quem busca reunificação. Pelo contrário, trata a Coreia do Sul como inimiga formal, território estrangeiro e alvo estratégico.
Ditadura comunista aposta no medo nuclear
A Coreia do Norte usa seu arsenal nuclear como seguro de vida do regime. O recado é simples e brutal: atacar Kim pode significar acionar uma resposta atômica.
Em contraste com democracias ocidentais, onde o poder passa por instituições, Pyongyang concentra tudo em torno de uma família. Quando um regime precisa ameaçar o mundo com bomba nuclear para proteger seu líder, já mostrou o tamanho da própria monstruosidade.
No entanto, a comunidade internacional não pode tratar isso como bravata qualquer. Países com armas nucleares, liderança fechada e propaganda militar permanente sempre representam risco real.
Nova regra aumenta risco geopolítico
A mudança constitucional da Coreia do Norte eleva o risco de erro de cálculo em uma eventual crise militar. Se o sistema automático entrar em jogo, qualquer ataque, falha de comunicação ou interpretação equivocada pode ampliar o conflito.
Além disso, a decisão reforça o alinhamento do regime com forças contrárias aos interesses americanos. Kim já sinalizou que seu país pode assumir papel mais ativo em alianças antiocidentais diante da escalada das disputas globais.
Em conclusão, a Coreia do Norte colocou no papel uma ameaça que assusta o mundo: se Kim Jong Un morrer ou perder o comando, o regime poderá lançar ataque nuclear automaticamente. Mais uma vez, uma ditadura comunista mostra que, quando concentra poder demais, transforma a sobrevivência do ditador em risco para o planeta inteiro.